“Insegurança em Cabo Delgado favorece empresas de segurança privada”

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Jovem conduzindo uma bicicleta na principal artéria da Vila de Palma, norte de Moçambique/Foto: Edmundo Galiza Matos

O director da Chatham House Alex Vines avisou hoje que a insegurança em Cabo Delgado favorece a presença de empresas de segurança privadas na região, apelando às petrolíferas e ao governo para evitarem o uso de mercenários.

“Há claramente um papel para a segurança privada [na região de Cabo Delgado], eu próprio não tenho dúvidas sobre isso, mas o tipo de propostas que Erik Prince tem feito não é certamente adequado à situação, não obstante o forte ‘lobbying’ que ele e vários consultores seus têm vindo a fazer”, afirmou em declarações à Lusa o director do Programa para África do Royal Institute of International Affairs (RIIA), a prestigiada Chatham House, em Londres.

Erik Prince, fundador da Blackwater Security, uma empresa de segurança privada conhecida pelas suas atividades no Iraque, e presidente do Frontier Services Group (FSG), assinou em dezembro de 2017 um acordo de parceria para a viabilização de uma das empresas estatais moçambicanas envolvidas no escândalo das dívidas ocultas de Moçambique no valor de dois mil milhões de dólares – a Ematum.

O mesmo empresário foi também notícia na comunicação social internacional em maio do ano passado por alegadamente ter assinado uma parceria entre uma das suas empresas – Lancaster 6 Group (L6G), com sede no Dubai – e outra das empresas moçambicanas envolvidas no escândalo da dívida oculta – a Proindicus -, criando uma empresa, a Pro6, destinada a oferecer serviços de segurança na região, no valor de 750 milhões de dólares.

“O combate da seita militante que tem estado a operar em Cabo Delgado obriga a uma abordagem muito mais subtil do que aquela que o senhor Prince está a oferecer e a tentar convencer várias pessoas dos seus méritos”, afirma Alexa Vines.

“Ele é apenas uma das muitas pessoas que têm oferecido consultoria e aconselhado o governo moçambicano. Mas, caso o Governo moçambicano avance no sentido do envolvimento de empresas privadas de segurança, penso que estas devem ser escolhidas com muito cuidado”, avisou o diretor da Chatham House.

Por outro lado, Vines fez ainda questão de sublinhar, que “aconteça o que acontecer, é também preciso que estas empresas privadas de segurança trabalhem em colaboração com o exército e as forças de segurança moçambicanos”.

Anúncios

Enfim, chegamos à idade das perdas

clara_soeiro_edmundo_galiza_matos

Clara Soeiro/foto de Edmundo Galiza Matos

À mana Clara,
O louco do Fernando Manuel dizia-me há dias: “Porra, Galiza. Estou na idade de fazer o que quero e me apetece. Até de ‘puxar’ um charro de suruma em pleno banquete presidencial”! Heresia, mais uma, do Fernandinho, conclui. Ontem, lá p’ra cinco da matina, bem desperto, vejo-me no vidro da cristaleira, com o talher perto dos beiços. Estava a almoçar quando os outros saltavam da cama. A almoçar as cinco, madrugada por esta altura do ano. Fia da mãe, queres ver que o Fernandinho tem razão! É que, de há uns anos a esta parte sacudi a poeira das imposições, a começar pela dos horários. Vou para a cama as 11, matabicho as 17, lancho as 21, almoço de madrugada. E a minha Ninfa nem está aí para esta minha nova faceta desregrada, tanto mais que a nossa dose semanal de piruetas, essa, sagrada, tem dia e hora. Asceta só na tumba. Mas no resto, sou, faço e digo o que me dá na boa. Viva a liberdade, livre de chefes ignarros e soturnos, livre de colegas neuróticos e malabaristas. Hoje, nesta minha idade, Eu sou Eu. Porque…
“Perdemos o medo, as inimizades, os rancores
e os ódios.
Perdemos mais tempo a passear, viajar,
conversar com os amigos.
Perdemo-nos nas brincadeiras com os nossos netos.
Perdemos o norte e o sul porque somos o nosso
próprio epicentro.
Perdemos vontade de estar mal com a vida e
com o nosso próximo.
E quando perdemos tudo isso, afinal de contas
estamos a ganhar uma nova forma de estar no
mundo. Esta é a idade da maturidade”
Ena Clara, minha Clara Soeiro, não sabia que havemos perdido tanto! E que perdas my God. Bonitas, só! E quando proclamas “… Perdemos mais tempo a passear, viajar…”, suspiro e digo “Mama mia, acertaste”. Em dezembro, com asas em fogo, pousei na nossa Pemba e na tua IBO…
Finalmente regressei ao ponto de partida.
Nesta viagem circum-imaginada pisei diversos
chãos, atravessei os mares, quase toquei nas
nuvens e mergulhei nos oceanos. Foi uma
espécie de volta ao mundo que me trouxe de
volta ao meu lugar de partida.
Minha terra, Ibo.”
Agora me permita um questionamento: quando desfolhava embevecido este “Entre Prosa e Poesia…” tropecei num poema. Era teu?
Nota: Passam 5 minutos da uma hora da madrugada. Me apetece lanchar.

Por: Edmundo Galiza Matos

clara_soeiro_livro_edmundo_galiza_matos

Clara Soeiro autogrando o livro para Luis Loforte e Edmundo Galiza Matos

 

Omi nisitawi

menina_palma_cabo_delgado_edmundo_g_matos

Mute, distrito de Palma (Cabo Delgado) – Foto Edmundo Galiza Matos

Domingo de manhã numa aldeia de Palma. Um grupo numeroso de crianças, cada uma delas à sua vez, pedalavam uma bicicleta. Dava gosto ouvir a algazarra, tal era a alegria dos petizes. Entre elas, a da imagem assistia a brincadeira apartada dos restantes amigos, com um misto de pena e receio. Era a mais bem vestida, contrastando com o vestuário roto do resto do grupo. Uma e outra vez alisava um ponto do vestido, sacudia-o da poeira que as outras levantavam. E, acto contínuo, virou-se para mim, pressentindo que estava alguém a observa-la. Um gesto amigável meu travou-lhe a meio da garganta um gritinho de medo, tempo suficiente para “bater” a chapa. As palmas vindas dos outros meninos tiveram o condão de a acalmar. E com um sorriso a toda a largura, gingando e muita feliz, tomou o caminho da sua casa, uma palhota escaqueirada ali perto, provavelmente a dizer “Omi nisitawi (estou bonita)”. (Edmundo Galiza Matos)

Caso Chang: Defesa de Boustani propõe caução de Usd$ 20 milhões

Dolares_falsos_crime

A defesa de Jean Boustani, arguido no caso das dívidas ocultas de Moçambique, enviou esta terça-feira uma carta à Justiça norte-americana com proposta de caução de 20 milhões de dólares e residência de alta segurança para atenuar medidas de coação.

Numa carta de 15 páginas, dirigida hoje ao principal juiz do caso, William Kuntz, a equipa de defesa propõe novas condições para a libertação de Jean Boustani, preso preventivamente no Metropolitan Detention Center (MDC), entre as quais o avanço de um milhão de dólares em dinheiro para garantia de um total de 20 milhões de dólares (17,5 milhões de euros) e uma residência com fortes medidas de segurança para prisão domiciliária.

O documento inclui um pedido de nova audiência o mais breve possível e afirma a prontidão de Jean Boustani, libanês, em mudar-se para a residência proposta.

A residência, que fica ao encargo da defesa, foi selecionada pela empresa de segurança Guidepost Solutions, uma companhia gerida e detida por um antigo chefe da Divisão de Segurança de um tribunal federal em Nova Iorque.

O regime de alta segurança inclui buscas por eventuais armas ou contrabando na residência a cada duas semanas, a presença 24 horas de dois seguranças armados e a supervisão de um responsável para coordenar trabalhos com o Governo e os serviços de pré-julgamento do tribunal federal, assim como a utilização de equipamentos tecnológicos (registos em vídeo de 24 horas na maior parte da habitação e monitorização de todas as visitas com detetor de metais).

Além da restrição de entradas e saídas da propriedade, o documento aponta que a possibilidade de fuga é diminuta, depois da apreensão de documentos de viagem do suspeito pelos serviços do FBI (polícia federal).

Os advogados escrevem que dada a “forte possibilidade de que Jean Boustani vença no julgamento”, este “não tem razões para se tornar num fugitivo internacional, assim comprometendo a possibilidade de ganhar a vida com a profissão escolhida e o bem-estar da sua jovem família”.

A defesa avança ainda que, se houver condenação, a probabilidade é de uma sentença de prisão ser “relativamente curta”, segundo as diretrizes de sentença aplicáveis ao caso.

A carta inclui ainda explicações sobre o envolvimento de Jean Boustani e da empresa Privinvest com os projetos em Moçambique que receberam empréstimos de bancos internacionais com a garantia do Governo deste país africano.

A defesa de Jean Boustani alega também haver um tratamento diferenciado da justiça com os outros arguidos, nomeadamente o neozelandês Andrew Pearse, antigo diretor do banco Credit Suisse, o britânico Surjan Singh, diretor no Credit Suisse Global Financing Group, e a búlgara Detelina Subeva, vice-presidente deste grupo.

Estes “foram libertados com caução”, com quantias que variavam entre dez mil e 25 mil libras esterlinas (entre 11 mil e 28 mil euros), aguardando pelo processo de extradição no Reino Unido, que “podem ou podem não resultar na transferência destes arguidos para os Estados Unidos”.

Jean Boustani foi preso na República Dominicana no dia 01 de janeiro, com um mandado de detenção internacional, e expulso do país para ser transferido para os Estados Unidos, onde chegou no dia seguinte, sendo esperado pelas autoridades norte-americanas.

Andrew Pearse, Surjan Singh e Detelina Subeva foram detidos no dia 03 de janeiro no Reino Unido e Manuel Chang, antigo ministro das Finanças de Moçambique, detido na África do Sul em 29 de dezembro.

O processo, que envolve alegadas fraudes a investidores internacionais e o suposto pagamento de subornos a membros dos ministérios e da Presidência de Moçambique entre 2011 e 2016, investiga as dívidas ocultas deste país africano, de mais de dois mil milhões de dólares (1,760 mil milhões de euros) secretamente contraídas a favor da Ematum, da Proindicus e da MAM, empresas públicas moçambicanas ligadas à segurança marítima e pescas.

Nova Iorque: Primeira audição do caso “Manuel Chang” vai ser a 22 de janeiro

Manuel_chang

Manuel Chang, ex-ministro das finanças de Moçambique.

A primeira audição do caso das dívidas públicas ocultas de Moçambique, que envolve o antigo ministro das Finanças moçambicano Manuel Chang, foi marcada esta sexta-feira para 22 de janeiro, no tribunal de Brooklyn, Nova Iorque.

A data foi marcada pelo juiz principal William F. Kuntz, depois do pedido formal dos procuradores federais, que apelaram à complexidade do caso para apontarem ainda o dia seguinte como necessário para a audição.

A audição foi marcada esta sexta-feira depois de um dos suspeitos, o negociador Jean Boustani, também indicado como Jean Boustany, ter sido detido na passada quarta-feira no aeroporto John F. Kennedy e se ter apresentado perante o juiz no mesmo dia.

A primeira sessão do caso “Jean Boustani et al.”, no tribunal do distrito leste de Nova Iorque, está prevista para as 12h00 locais (17h00 em Lisboa) do próximo dia 22.

A carta de requerimento teve uma nota de rodapé a afirmar que outros acusados foram detidos com mandados de captura internacionais emitidos pelos Estados Unidos, mas que ainda não foram extraditados.

De acordo com os documentos consultados pela Lusa, existem pelo menos ainda duas pessoas envolvidas no caso, cujos nomes estão selados, e que ainda não foram detidas. No total, sete pessoas estão envolvidas neste processo.

O antigo ministro das Finanças moçambicano e atual deputado pelo partido no poder, Manuel Chang, foi detido no sábado na África do Sul, acusado de lavagem de dinheiro e fraude financeira. Manuel Chang permanecerá sob custódia até voltar a ser ouvido em tribunal, no próximo dia 8 de janeiro, e o seu advogado já indicou que vai contestar o pedido de extradição para os Estados Unidos.

As autoridades britânicas prenderam estsa quinta-feira, em Londres, a pedido da Justiça dos Estados Unidos, três antigos banqueiros do Credit Suisse envolvidos nos empréstimos a empresas públicas moçambicanas, realizados à margem das contas, no valor de mais de 2 mil milhões de dólares.

Andrew Pearse, um antigo diretor do banco Credit Suisse; Surjan Singh, diretor no Credit Suisse Global Financing Group, e Detelina Subeva, vice-presidente deste grupo, foram entretanto libertados sob caução e enfrentam um pedido de extradição para os Estados Unidos, onde a Justiça investiga se os investidores foram deliberadamente enganados nos empréstimos.

De acordo com o despacho de acusação da Justiça norte-americana, divulgado esta quinta-feira pelo tribunal federal em Brooklyn, foram investigadas três empresas criadas para levar a cabo operações de “fiscalização marítima”, apoio à pesca do atum e reparação naval.

O esquema passou pela concessão de empréstimos a estas três empresas no valor de mais de 2 mil milhões de dólares (1.760 milhões de euros), garantidos pelo Governo moçambicano, entre 2013 e 2016.

O dinheiro “deveria ter sido utilizado exclusivamente em projetos marítimos”, lê-se no despacho de acusação. “Na realidade”, acrescenta o texto, “os acusados criaram o projeto marítimo como um embuste para enriquecimento próprio e para desviarem intencionalmente partes dos empréstimos para pagamento de comissões a si mesmos e de subornos na ordem de, pelo menos, 200 milhões de dólares a representantes do Governo moçambicano e outros”.

A comunicação social moçambicana e estrangeira especifica que Manuel Chang, que é atualmente deputado da Assembleia da República, é acusado de conspiração para fraude eletrónica, conspiração para fraude com valores mobiliários e lavagem de dinheiro.

Manuel Chang foi ministro das Finanças de Moçambique durante o Governo do Presidente Armando Guebuza, entre fevereiro de 2005 e dezembro de 2014.

Então com o pelouro das Finanças, foi Manuel Chang que avalizou dívidas de mais de 2.000 milhões de dólares secretamente contraídas a favor da Ematum, da Proindicus e da MAM, as empresas públicas referidas na acusação norte-americana, ligadas à segurança marítima e pescas, entre 2013 e 2014.

A mobilização dos empréstimos foi organizada pelos bancos Credit Suisse e VTB. O Credit Suisse fez já saber que foi vítima do seu ‘staff’ e acrescentou que está desenvolver esforços no sentido de aumentar a transparência em operações de financiamento que envolvam governos de mercados emergentes, de acordo com a agência Bloomberg.

Uma auditoria internacional deu conta da falta de justificativos de mais de 500 milhões de dólares (440 milhões de euros) dos referidos empréstimos, sobrefaturação no fornecimento de bens e inviabilidade financeira das empresas beneficiárias do dinheiro.

Ainda segundo a acusação, representantes da Privinvest foram acusados de “inflacionar os preços de equipamentos e serviços” fornecidos a Moçambique, libertando assim o dinheiro para o esquema de subornos.

Acusação inclui mais cinco suspeitos moçambicanos

O processo da justiça norte-americana sobre as dívidas públicas ocultas de Moçambique envolve mais cinco suspeitos moçambicanos, além do ex-ministro das Finanças Manuel Chang.

Alem das cinco pessoas já acusadas, segundo a Acusação a que a agência Lusa teve esta sexta-feira acesso, são suspeitos outros sete elementos, cinco dos quais de nacionalidade moçambicana, ligados ao negócio que envolveu empréstimos de dois mil milhões de dólares para o Estado angolano, acentuando uma crise financeira que levou o país a entrar em ‘default’ no pagamento aos credores internacionais.

Entre os de nacionalidade moçambicana, a Acusação inclui dois nomes rasurados ao longo do texto que só serão divulgados após o cumprimento de mandados de detenção e outros três “co-conspiradores” moçambicanos, cujas identidades não são descritas no documento e que terão recebido dinheiro em transferências bancárias de contas localizadas nos Emirados Árabes Unidos e em Nova Iorque.

Por essa razão, o caso das dívidas ocultas de Moçambique está a ser investigado pelo tribunal dos EUA, no distrito leste de Nova Iorque, Brooklyn e baseia-se no código dos Estados Unidos do Ato das Práticas de Corrupção Estrangeiras (FCPA, na sigla em inglês), que condena o pagamento de subornos a membros de governos.

Até ao momento, foram já formalmente acusados cinco suspeitos: o ex-ministro das finanças moçambicano Manuel Chang, o negociador libanês Jean Boustani que era executivo do Privinvest Group, uma holding sedeada no Abu Dabi detentora de um estaleiro naval, e três antigos banqueiros que intermediaram empréstimos superiores a dois mil milhões de euros com garantia estatal de Moçambique, o neozelandês Andrew Pearse, antigo diretor do banco Credit Suisse, o britânico Surjan Singh, diretor no Credit Suisse Global Financing Group e a búlgara Detelina Subeva, vice-presidente deste grupo.

“No cumprimento do esquema fraudulento, numerosos elementos do Governo moçambicano receberam subornos da [empresa armadora] Privinvest em ligação com os projetos moçambicanos”, escreve a acusação a que hoje a Lusa teve acesso.

“O co-conspirador moçambicano 1”, pode ler-se na acusação, “esteve envolvido em obter a autorização do Governo moçambicano para o projeto Proindicius”.

“O co-conspirador moçambicano 2, um indivíduo cuja identidade é conhecida do Grande Juiz, era um familiar de um alto funcionário de Moçambique”, afirma também a acusação.

Por último, o terceiro co-conspirador é descrito como “alto funcionário do Ministério das Finanças de Moçambique e diretor da Ematum”, uma das três empresas públicas moçambicanas que contraíram dívidas ocultas.

A Ematum, Proindicus e MAM são as três empresas referidas na acusação norte-americana, ligadas à segurança marítima e pescas.

A acusação da justiça norte-americana indica que Jean Boustani e outros suspeitos procederam a pagamentos de subornos a “funcionários do Governo moçambicano”.

Estas transações começaram depois da assinatura de um contrato inicial de 366 milhões de dólares para um sistema de monitorização da zona costeira em Moçambique, em janeiro de 2013, entre as empresas Privinvest e a moçambicana Proindicus.

Especificamente da empresa Privinvest, Manuel Chang é acusado de ter sido subornado com mais de 5 milhões de dólares, o Co-Conspirador moçambicano 1 recebeu pelo menos 8,5 milhões, o segundo Co-Conspirador recebeu pelo menos 9,7 milhões de dólares e o Co-Conspirador 3 teve pelo menos dois milhões de dólares em subornos da Privinvest.

De acordo com o despacho de acusação da Justiça norte-americana, divulgado esta quinta-feira pelo tribunal federal em Brooklyn, foram investigadas três empresas criadas para levar a cabo operações de “fiscalização marítima”, apoio à pesca do atum e reparação naval.

O esquema passou pela concessão de empréstimos a estas três empresas no valor de mais de 2 mil milhões de dólares (1.760 milhões de euros), garantidos pelo Governo moçambicano, entre 2013 e 2016.

Fonte: Lusa

Manuel Chang vai lutar contra a sua extradição para os EUA

Advogado de antigo ministro moçambicano confirma acusações, dos EUA, no âmbito das dívidas ocultas.

Manuel_chang

Manuel Chang, ex-ministro das finanças de Moçambique.

O antigo ministro das Finanças de Moçambique e actual deputado da Frelimo, Manuel Chang, é a primeira vítima judicial do chamado caso das dívidas ocultas.

A agência de notícias Bloomberg cita o seu advogado como tendo dito que ele vai lutar contra a sua extradição para os Estados Unidos.

Chang é apontado como tendo sido o ministro que terá dirigido os acordos que levaram ao empréstimo de cerca de dois mil milhões de dólares, contraídos por três empresas públicas moçambicanas, Ematum, ProIndicus e Mozambique Asset Management (MAM).

O advogado do antigo ministro, Rudi Krause, confirmou à Bloomberg que Chang recebeu a acusação do Ministério da Justiça dos Estados Unidos, que diz “respeito a esses três empréstimos”.

“Ele se oporá ao pedido de extradição”, garantiu Krause, posição que será manifestada por Manuel Chang quando se apresentar ao tribunal em audiência no dia 8 e na qual vai fazer um pedido de fiança para aguardar o julgamento em liberdade.

Chang foi detido no sábado, 22, em Joanesburgo pelas autoridades moçambicanas em Joanesburgo a pedido da justiça americana que solicitou a sua extradição.

A vida, caramba!

Mulher_macua_pemba

Foto: (Praia da Maringanha) Edmundo Galiza Matos

A esta partiu-se-lhe o coração, coisa de traição certamente. Esta a minha primeira impressão quando, ainda distante, avaliei a silhueta desta jovem, a noite ainda teimava em não desvanecer-se. Foi numa das muitas praias de Pemba, Nanhimbi para ser exacto, irmã do Wimbi. Cabelos desgrenhados, olheiras de uma noite mal dormida, ombros meio-descaidos, inerte e completamente alheiada de tudo à sua volta. E o filho ali ao lado, coleccionando pequenas conchas, “mamã, olha, apanhei uma muito graaande!” e ela, nada de nada. Pé ante pé, fui me aproximando, condoido com aquela imagem. Ciciei um “bom dia” e a única correspondência foi um olhar de esguelha, indiferente. Ajustou a capulana nos ombros, como que a sublinhar que não a incomodasse no seu recolhimento. Retirei-me para uma ponto de onde a podia fotografar, sentindo-me um cara de pau por estar a conpuscar a malfadada vida privada da jovem. A cena foi mais forte que os meus princípios. Bruscamente, ergueu-se, sacudiu a capulana esvoaçante, destapando parte do corpo, de onde vislumbrei um biquini de um vermelho berrante, barato, num corpo mulato, esbelto, sem estragos. E sem dirigir a palavra ao filho, que imediatamente a seguiu, desapareceu entre a pouca vegetação que separa a praia e a estrada que vai até Maringanha. Permaneci ali especado, tentando imaginar o que teria acontecido de tão grave para que aquela jovem mulher tivesse escolhido o mar para compartilhar a dor que lhe ia na Alma. “Coisas de amor, só pode!”, conclui, afastando em direcção ao Kauri. Foram trés canecas de café de uma assentada. Bem precisava. A vida, Caramba!

(Por Edmundo Galiza Matos)

África do sul quer investigação a actividades jihadistas em Moçambique

Cidadão sul-africano Andre Hanekom é descrito como responsável pela logística do grupo jihadista que opera em Cabo Delgado.

Lindiwe_sisulu_ras

A Ministra das Relações Exteriores e Cooperação da Africa do Sul, Lindiwe Sisulu, pede às autoridades investigação das alegacões de que um cidadão do seu país faz parte de um grupo jihadista que opera em Moçambique, reporta o News24.

Esta semana, a AFP noticiou que Moçambique anunciou a detenção de Andre Hanekom, de 60 anos de idade, Moçambique anunciou a detenção de Andre Hanekom, de 60 anos de idade, e dois tanzanianos, tidos como líderes de um alegado grupo de jihadistas que opera na província de Cabo Delgado. Hanekom é descrito como responsável pela logística do grupo.

“A ministra vê as acusações com muita seriedade e solicitou às agências de segurança sul-africana que também as investiguem com o objectivo de garantir que nenhum cidadão sul-africano se envolva em actividades que desestabilizam outros países, em particular o nosso bom vizinho e amigo “, disse o seu porta-voz, Ndivhuwo Mabaya.

Para Sisulu, “não é aceitável que um cidadão sul-africano esteja em tribunal por alegado envolvimento em actividades extremistas jihadistas, que resultaram em perda de vidas. Os cidadãos sul-africanos devem espalhar amor e paz na região da SADC, continente e mundo”.

(VOA (Voz da América)

É estranho, vou investigar!

Edmundo_galiza_matos_palAldeia Maganja (Península de Afungi): cerca das 10 horas de uma sexta-feira. Debaixo de uma frondosa mangueira, tudo a postos para a entrevista a Salimo Mahando, Secretário do Comité de Reassentamento local. Do nada, começa uma ventania desgraçada vinda da costa, situação que nos levou a ter que mudar para o interior de um alpendre precário ali perto, para assim poder realizar uma gravação livre da interferência do vento. A entrevista já decorria há uns bons minutos, o vento ‘assobiava’ com intensidade lá fora. E eis que o Mahando solta um grito e diz, alarmado: “Vamos sair daqui já!”. O tecto de macuti estava já sobre as nossas cabeças e só não nos atingiu porque o jovem Mouzinho Atanasio Cosme Mpalakele da Radio Comunitária de Palma foi suficientemente rápido – susteve firme o tecto com a ajuda de uma estaca, a custo diga-se, permitindo assim que saíssemos de cócoras do alpendre. O Mouzinho, ainda lá dentro segurando a estaca, largou-a ao mesmo tempo que, ágil, pulava para fora, a salvo. É claro que tudo isto foi gravado e, quando a entrevista prosseguiu, foi retomada com a pergunta ao líder do Comité: “Mahando, parece que um de nós aqui tem problemas!”. Transpirando por todos os pôros, o Mahando disse mais ou menos isto: “É estranho. Tenho que investigar”. Soubesse ele que fui ‘vacinado’ por Ningore, o próprio, no bairro Nandadwa, em Mocímboa, no ido ano de 1989, saberia com quem estava a lidar.