Edwin Hawkins, autor de ‘Oh, Happy Day’, morre aos 74 anos

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Edwin Hawkins, no Teatro Apollo de Nova York em 2014.

O cantor de música gospel Edwin Hawkins, famoso por sua versão da canção Oh, Happy Day, morreu aos 74 anos em decorrência de um cancro de pâncreas, informou o seu agente, Bill Carpenter, à imprensa dos EUA.

Hawkins, um dos fundadores do gospel moderno, morreu nesta segunda-feira, 15 de janeiro, na sua casa, na Califórnia.

A música com a qual se tornou famoso, Oh, Happy Day, é um hino do século XVIII que Hawkins arranjou segundo o estilo chamado call and response, no qual a canção é compostas de fragmentos de duas partes, sendo que a segunda é uma resposta à primeira.

O single do grupo Edwin Hawkins Singers que continha essa nova versão, lançado em 1969, fez muito sucesso. Um ano mais tarde, o grupo foi premiado com o Grammy de melhor interpretação de gospel por essa canção. As vendas alcançaram os sete milhões de cópias, segundo os dados citados por Carpenter ao The New York Times.

Ao longo da sua carreira, Edwin Hawkins ganhou quatro Grammys. Oh, Happy Day foi gravada por Glenn Campbell e Elvis Presley, e também apareceu no filme Mudança de Hábito, protagonizado por Whoopi Goldberg.

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Presidente interino do Zimbabwe visita Moçambique esta quarta-feira

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Emmerson Mnangagwa, Presidente interino do Zimbabwe

O Presidente interino do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, realiza na quarta-feira uma visita de trabalho a Moçambique que inclui uma reunião com o chefe de Estado, Filipe Nyusi.

A visita acontece a convite do dirigente moçambicano e o encontro entre ambos está marcado para as 10:50 no palácio presidencial, em Maputo, anunciou o gabinete de Nyusi em comunicado.

“A visita do Presidente Emmerson Mnangagwa ao nosso país enquadra-se no reforço das relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre Moçambique e Zimbabwe, nos domínios comercial, regional e internacional”, refere-se no documento.

Nesta deslocação, Mnangagwa far-se- á acompanhar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Subusiso Moyo, e por outros quadros do governo do Zimbabwe.

A visita acontece cinco dias depois de o Presidente interino do Zimbabwe ter passado por outro país lusófono, Angola, onde anunciou para breve a realização de uma reunião da comissão conjunta para reforçar as relações económicas bilaterais.

Na ocasião, foi ainda recebido pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço, na qualidade de presidente do Órgão para Politica, Defesa e Segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para abordar questões relativas à “situação política” naquele país.

Emmerson Mnangagwa lidera a transição no Zimbabwe até às eleições gerais, previstas para meados de 2018, depois da operação militar que, em novembro, levou ao afastamento de Robert Mugabe.

Fonte: Lusa

Dois mortos durante assalto a centro de saúde em Nangade

Duas pessoas morreram na segunda-feira durante um assalto a um centro de saúde em Nangade, norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado, anunciou hoje a polícia.

As vítimas são um médico do posto de saúde e a mulher de um comerciante daquele distrito, referiu Inácio Dina, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), em conferência de imprensa.

O grupo suspeito dos homicídios vandalizou o posto de saúde, roubou medicamentos, uma viatura e uma motorizada.
“Temos uma força a fazer o desdobramento em Nangade para a neutralização deste grupo”, disse o porta-voz da polícia moçambicana.

Este é o mais recente de uma série de casos de violência com vítimas mortais registados desde outubro no extremo norte de Moçambique na província de Cabo Delgado.

No fim de semana, um grupo armado matou cinco pessoas e feriu várias outras num ataque à sede do posto administrativo de Olumbe, distrito de Palma, na mesma região.

“O esforço neste momento está sendo feito por toda província para que não se dê espaço a estes homens que protagonizaram este ataque”, afirmou Inácio Dina.

O porta-voz da PRM disse, no entanto, que é prematuro associar estes casos mais recentes aos incidentes de Mocímboa da Praia, também em Cabo Delgado, que opuseram a polícia e um grupo que manteve a vila sitiada quase dois dias (05 e 06 de outubro)

“O que se sabe é que um grupo está a vandalizar infraestruturas e a tirar vidas”, declarou o porta-voz, reiterando que as investigações continuam.

Dados apresentados hoje pelo porta-voz da polícia indicam que mais 300 pessoas já estiveram detidas desde outubro por suspeita de envolvimento nos incidentes de Mocímboa da Praia.

Fonte: Lusa

Polícias de Moçambique e da Tanzania assinam memorando de cooperação

As polícias de Moçambique e da Tanzania assinaram na segunda-feira em Dar-es-Salaam um memorando de entendimento para a assistência mútua no combate à criminalidade transfronteiriça e terrorismo, informou hoje o jornal Notícias.

Segundo o principal diário de Moçambique, o memorando foi assinado pelo comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, e pelo inspetor-geral da Polícia da Tanzania, Simon Sirro.

Ao abrigo do entendimento, as forças policiais dos dois países vão trocar informações sobre a criminalidade transfronteiriça e atos considerados terroristas.

O acordo prevê igualmente operações conjuntas, assistência técnica e desenvolvimento institucional.

O combate ao tráfico de drogas e crimes económicos e financeiros são também parte dos objetivos preconizados no memorando de entendimento.

No fim de semana, um grupo armado matou cinco pessoas e feriu várias outras num ataque à sede do posto de Olumbi, distrito de Palma, Cabo Delegado, nordeste de Moçambique, fronteira com a Tanzania, disseram hoje à Lusa várias fontes.

Uma moradora de Olumbi, Aneia Sumaili, disse que o grupo invadiu a sede do posto administrativo e disparou contra edifícios estatais e várias barracas do mercado local, que foram incendiadas.

“Dispararam e queimaram as barracas do mercado, entraram no governo (secretaria) e vandalizaram, queimaram a mota do chefe do posto e casa dele também foi invadida”, contou à Lusa Aneia Sumaili, referindo que se mantém um clima tenso entre a população.

O administrador local confirmou o ataque, mas remeteu mais pormenores para a polícia.

Supõe-se que o grupo seja o mesmo que atacou a sede de Mocímboa da Praia a 05 de outubro de 2017, em que morreram pelo menos dois agentes da polícia e outros quatro elementos das forças de segurança, além de uma dezena de atacantes.

Contactada pela Lusa, a polícia de Cabo Delgado ainda não se pronunciou sobre o novo ataque.

Fonte: Lusa

 

Guerras dizimam fauna em África, mas Gorongosa surpreende positivamente

cropped-gorongosa_por_do_sol.jpgOs conflitos nos últimos 65 anos em África afetaram 70% dos parques naturais no continente e dizimaram as respetivas faunas e florestas, indica esta segunda-feira um estudo sobre biodiversidade nas reservas africanas, Moçambique e Angola incluídos, liderado por investigadores norte-americanos.

No trabalho, que analisa o período entre 1946 e 2010, Robert Pringle e Joshua Daskinos, especialistas em ecologia nas universidades de Princeton e de Yale, é vincado que mais de 70% das áreas protegidas foram diretamente afetadas por guerras que obrigaram a um decréscimo de praticamente todas as 253 populações analisadas (de 36 espécies em 126 reservas), dados publicados na revista Nature.

Segundo o estudo, o impacto mais negativo atingiu as populações de grandes herbívoros que vivem em parques nacionais e outras zonas protegidas, desde elefantes e hipopótamos a girafas, búfalos ou antílopes e foi mais devastadora do que qualquer ação humana, como a indústria mineira, urbanização ilegal ou tráfico de animais.

No entanto, os autores salientam haver um dado que traz alguma esperança: as mesmas populações não se extinguiram, salvo raras exceções. Mais, ressalvam, nalguns casos chegaram mesmo a renascer, às vezes com grande rapidez, quando as condições voltam à normalidade.

Caso exemplar é o da resistência populacional dos animais no parque nacional na Gorongosa, em Moçambique, “um território extraordinário que perdeu todos os leopardos e hienas, bem como a maior parte dos leões e elefantes por causa dos mais de 20 anos de guerra” civil, que terminou em 1992.

“Agora, a Gorongosa está a recuperar com passo firme”, salientaram os dois especialistas, recordando que o fim do colonialismo, não só em Moçambique, mas também noutros países africanos, foi seguido por lutas pelo poder violentas e sangrentas.

Os habitantes locais, referem, viram-se obrigados a penetrar nas zonas protegidas para obter carne para alimentação e também produtos, como o marfim, para poderem financiar a atividade militar, que acabaram por deixar de lado o respeito pela proteção dos animais.

Entre as áreas protegidas mais afetadas com anos e anos de conflitos destacam-se também, além de Moçambique, várias reservas em Angola, Burundi, Chade, Eritreia, Etiópia e Sudão do Sul (incluído no Sudão até 2011).

Pelo contrário, os enormes parques nacionais na Tanzânia e Zâmbia conseguiram suportar as seis últimas décadas com uma relativa calma, situação que o estudo diz se estender também, com maior ou menor grau, a países como os Camarões, Congo, Gabão ou Senegal, entre outros.

O estudo destaca ainda que apenas três pequenos países, todos Estados insulares — África conta com 55 Nações -, não se viram a braços com conflitos armados: Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Maurícia.

“Basta que um conflito se declare nas proximidades de um parque para que populações de mamíferos comecem a ressentir-se”, salientaram os dois biólogos, lembrando que 80% das guerras recentes em África aconteceram em zonas de grande diversidade ecológica”.

Embora o efeito das guerras na biodiversidade pareça óbvio, não o é em absoluto, insistiu Robert Pringle, uma vez que a debandada humana provocada pelas guerras ou mesmo a interrupção da atividade mineira podem trazer benefícios para a fauna, como se constatou na guerra civil na antiga Rodésia (1964/1979, atual Zimbabwe).

Por outro lado, a guerra no Ruanda, em meados dos anos 1990, coincidiram de forma surpreendente com o ressurgir dos gorilas de montanha, algo que, consideraram os dois autores, “não é habitual”.

“Os dados ecológicos das zonas de conflito são escassos, o que dificulta o estudo dos efeitos da guerra na vida selvagem. Este é, porém, o primeiro estudo para os analisar à escala continental e por um período de décadas”, concluiu Pringle.

Fonte: Lusa

 

Crise da dívida coloca em causa todas as previsões para Moçambique – Consultora IHS

fundo_monetario_internacionalA consultora IHS Markit considera que a evolução da crise da dívida soberana em Moçambique coloca em causa todas as previsões para o país, defendendo que o reescalonamento dos pagamentos é a única solução viável.

“Um acordo de reescalonamento dos pagamentos é a única solução de curto prazo para a crise da dívida soberana em Moçambique, e deve ser uma solução apoiada pelo Fundo Monetário Internacional”, dizem os analistas em resposta hoje às questões colocadas pela Lusa sobre as expectativas para este ano.

A crise da dívida soberana moçambicana é o principal foco de preocupação relativamente às previsões avançadas pela IHS Markit, que diz que este tema coloca em causa todas as estimativas relativamente ao crescimento económico, à evolução da taxa de câmbio e à inflação.

“A falta de apoio financeiro do FMI e dos outros doadores externos prejudicou os programas de investimento do setor público em 2017 e os efeitos devem prolongar-se para este ano, sem que haja perspetiva de uma solução pelo menos até meados de 2018”, acrescenta a IHS Markit nas respostas à Lusa.

Nas previsões para a África subsaariana, a IHS Markit considera que a região deverá ter quase duplicado o crescimento no ano passado, para 2,5%, mas os desafios para este ano mantêm-se, incluindo o preço baixo do petróleo, a instabilidade política e as descidas de ‘rating’.

“O desempenho económico da região foi o mais baixo desde 1994, e a recuperação de 2017 terá sido aquela com a mais baixa taxa de crescimento desde 2000, à exceção de 2016”, disseram os analistas da consultora IHS Markit.

Num comentário à Lusa sobre as expectativas para 2018, os analistas disseram que antecipam uma descida no preço médio do barril para 56 dólares, face aos cerca de 60 atuais, e sublinham que “continua a haver muita incerteza relativamente ao mercado petrolífero”.

Para além disso, notam, “o aumento noutras matérias-primas como os metais, minerais e produtos agrícolas não deverá ser sustentável, e por isso estes preços baixos contribuem para um desempenho económico pálido nos próximos tempos”.

A dificuldade, consideram estes analistas na resposta às questões colocadas pela Lusa, é que “estas economias são muito dependentes do petróleo, e por isso enfrentam um caminho difícil para recomeçar o crescimento”.

Nos setores não petrolíferos, ainda assim, o panorama é mais favorável, dizem, apontando as colheitas mais abundantes e o fortalecimento da procura por diamantes e cobre, entre outras matérias-primas.

Entre os países com um crescimento mais pujante estão a Etiópia, a Costa do Marfim, Senegal, Tanzânia, Quénia e Ruanda, mas mesmo estes não escapam aos riscos que a IHS Markit antevê para este ano.

“O risco mais premente é a baixa nos preços das matérias-primas”, mas a consultora destaca também a normalização política norte-americana, o ‘Brexit’, o abrandamento no comércio global, as condições climatéricas, a instabilidade política, as descidas nos ‘ratings’ soberanos, e a diminuição dos fluxos de capital.

“Os desenvolvimentos relacionados com o esperado abrandamento no crescimento económico da China também deixam a região vulnerável devidos aos fortes laços entre as duas economias e à possibilidade de este abrandamento se refletir no comércio e também no investimento e no financiamento ao continente”, conclui a IHS Markit.

Fonte: Lusa

Moçambique espera mais 573 milhões de euros de investimento na pesquisa de hidrocarbonetos

Gas_plataforma_marMoçambique espera que as multinacionais vencedoras do quinto concurso internacional para pesquisa e prospeção de hidrocarbonetos invistam 700 milhões de dólares (mais de 573 milhões de euros) nos próximos anos, informou o presidente do Instituto Nacional Petróleos (INP).

Carlos Zacarias, citado hoje pelo diário Notícias, disse que, durante as negociações, as companhias selecionadas no concurso solicitaram a incorporação de alguns aspetos na Lei Fiscal e no Regime cambial, pontos que farão parte dos contratos que serão celebrados com o Governo moçambicano.

“Estes instrumentos competem ao Governo a sua aprovação. Ora, a Lei Fiscal já foi revista e aprovada e aguardamos pela data da sua entrada em vigor. Em relação ao Regime Cambial, estamos em contacto com o Banco de Moçambique e sabemos que o processo está avançado”, declarou o presidente do conselho de administração do INP.

Nos últimos dez anos, só em pesquisas, as multinacionais da indústria extrativa que atuam Moçambique investiram cerca de 10 mil milhões de dólares.

O quinto concurso internacional para pesquisa de hidrocarbonetos foi lançado em 2014 e em questão estavam 11 áreas nas bacias de Rovuma, Angoche e Moçambique, no mar, e Pande-Tamane e Palmeira, em terra, num total de 74.259 quilómetros quadrados.

No concurso, foram recebidas 21 propostas, tendo sido escolhidas a Exxon Mobil Mozambique e ENI Mozambico, além da Sasol Petroleun Mozambique e Delonex Energy.

Este foi o primeiro concurso internacional lançado pelo Governo moçambicano desde a descoberta das reservas de gás natural na bacia do Rovuma, no norte do país, estimadas em 200 biliões de pés cúbicos, em blocos liderados pela norte-americana Anadarko e pela italiana Eni.

Na semana passada, uma fonte da Anadarko citada pela Bloomberg disse que a multinacional está a discutir com empresas chinesas a venda do gás que vai ser extraído de Moçambique, num processo que visa estimular as companhias para a decisão final de investimento para o arranque dos projetos de exportação de GNL.

Fonte: Lusa

Anadarko negoceia venda de gás moçambicano a empresas chinesas

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Palma – principal artéria da vila/Foto Edmundo G. Matos

A petrolífera norte-americana Anadarko anunciou estar em conversações com parceiros chineses para vender o gás de Moçambique, que a empresa diz ter uma localização privilegiada para fornecer os mercados asiáticos, em expansão no consumo de gás.

“Estamos em discussões com um conjunto de parceiros chineses, incluindo companhias petrolíferas nacionais e compradores independentes de Gás Natural Liquefeito”, anunciou a companhia norte-americana, acrescentando que o aumento do consumo de gás no gigante asiático torna-o um mercado estratégico de longo prazo para o projeto de GNL liderado pela Anadarko”.

Este aumento, comentou uma analista do setor na consultora BMI, pode favorecer a tomada de decisões de investimento nesta região africana, nomeadamente em Moçambique, uma das regiões do mundo mais férteis em gás natural.

As importações de gás para a China subiram 50% nos primeiros 10 meses do ano passado, tornando o país no terceiro maior comprador mundial, a seguir ao Japão e à Coreia do Sul, segundo a agência de informação financeira Bloomberg.

A italiana Eni já avançou com um investimento de 7 mil milhões de dólares, num projeto em que está também a portuguesa Galp, mas a Anadarko precisa ainda de garantir mais vendas para justificar o investimento no norte do país, de acordo com a Bloomberg, que diz que a empresa já garantiu a venda de 2,6 milhões de toneladas, das 8 milhões de que precisa para justificar o investimento.

“A localização geográfica central de Moçambique significa que o país está bem posicionado para satisfazer as necessidades dos consumidores no mercado Atlântico e nos mercados da Ásia-Pacífico”, referiu a fonte da Anadarko à Bloomberg.

Fonte: Lusa

 

Novo ataque de grupo de insurgentes faz cinco mortos em Palma

Um novo ataque de um grupo de insurgentes, alegadamente com inspiração islâmica, no fim-de-semana contra o posto administrativo de Olumbi, no distrito de Palma, na provincia moçambicana de Cabo Delegado, provocou a morte de cinco pessoas e destruição de várias infraestruturas.

A informação foi confirmada a VOA por várias fontes nesta segunda-feira, 15.

Este é o segundo ataque que ocorre desde o inicio da insurgência em Outubro a Olumbi, a zona onde até agora foi feita a única perfuração em terra na pesquisa pelo petróleo, por uma empresa canadiana, voltando a gerar pânico nas multinacionais que exploram petroleo e gás na região.

Um morador de Olumbi contou à VOA, que um grupo de homens armados entrou na sede do posto administrativo, cerca das 20 horas de sábado 13, e abriu fogo contra o edificio do Governo local matando cinco pessoas.

“Os disparos duraram algum tempo e a população entrou em pânico”, disse o mesmo morador, descrevendo uma situação mais calma na manhã desta segunda-feira 15, mas com medo, sobretudo das pessoas em comentarem sobre a situação.

Um outro morador, que se indentificou como Tagir, contou que todas as barracas no mercado local foram queimadas, a secretaria do Posto Administrativo de Olumbi foi vandalizada, incluindo a residência do chefe do posto, além da motorizada oficial do Governo ter sido incendiada.

Há relatos de haver vários feridos que foram socorridos na sede distrital de Palma e outros transferidos para o distrito vizinho da Mocimboa da Praia, o berço da insurgência do grupo, quando a 5 de Outubro de 2017, matou policias e sitiou a vila.

O administrador de Palma, David Machimbuko, confirmou à VOA o ataque, sem dar detalhes, e remeteu mais informações para a Polícia.

Contudo a Polícia de Cabo Delegado ainda não se pronunciou sobre o novo ataque, que ocorre numa área sensivel, onde se preve o início da exploração de gás por empresas norte-americanas e canadianas no nordeste de Moçambique.

Fonte: VOA (Voz da América)

 

Eu, Trump: o dia a dia de um presidente em chamas

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Donald Trump dança com a esposa, Melania. REUTERS

Donald Trump é directo. Entra em qualquer discussão sem preliminares. Curto e grosso. As apresentações aborrecem-no. Odeia os relatórios longos. Nada de circunlóquios. Tudo tem de ser metabolizado rapidamente. Uma estratégia política cabe num tuite; um acordo, numa simples conversa. Não existe nada que não possa ser reduzido, compactado, exibido. Por isso ele adora o Twitter. E mais ainda a televisão. Segundo os relatos mais rigorosos, Trump passa pelo menos quatro horas por dia diante de alguma tela. Aprecia, em especial, a TV de tela plana que mandou instalar na copa, e todas as manhãs a primeira coisa que assiste é o programa conservador Fox and Friends. A partir daí, começa a esquadrinhar, não o que acontece no mundo, mas sim o que o mundo pensa dele. E, se não gosta de alguma coisa, esbraveja. E, quando esbraveja, ninguém escapa. O seu gabinete, os seus generais, os seus adversários, todos ficam a saber na mesma hora.

Já se tornou uma liturgia. De segunda-feira a sexta-feira, por volta das seis horas da manhã, às vezes com um Big Mac na mão e uma Coca-Cola light à espera, Donald Trump dispara a sua metralhadora no Twitter. Segundo a imprensa norte-americana, ele o faz ainda na cama, de pijama e quase sempre sozinho. A intimidade é uma coisa sagrada para ele. Não divide o quarto com a esposa, Melania; e, desde que chegou ao número 1600 da Pennsylvania Avenue, exigiu, em vez do serviço de segurança, que se instalasse uma fechadura na sua porta. Ali dentro, com o televisor ligado e o celular na mão, o ex-rei dos reality shows exibe os seus músculos.

Pode ser uma ameaça ao juiz que travou o seu veto migratório, um ataque aos veículos de comunicação críticos a ele, uma acusação de espionagem dirigida a Barack Obama, um insulto contundente lançado contra a apresentadora Mika Brzezinski, um outro contra um jogador de futebol americano negro, um perdão ao xerife racista Joe Arpaio, uma invectiva contra o prefeito muçulmano de Londres em pleno atentado terrorista… O presidente dispara tuites como se estivesse numa barraca de feira livre. Incansável, apertou o gatilho 2.300 vezes em apenas um ano. Os fake news (notícias falsas), a Coreia do Norte, a Rússia, Hillary Clinton e o México ocupam os primeiros lugares. São suas obsessões e também uma amostra aberta que o reflecte com toda nitidez.

Antes de qualquer coisa, Trump acredita em si próprio. Pouco importa o facto de que nunca tenha ocupado antes nenhum cargo político. Se questionam o seu equilíbrio mental ou a sua forma de se expressar, reage dizendo ser “um gênio”. Se tripudiam sobre a sua idade, fulmina o interlocutor, como fez com o líder norte-coreano Kim Jong-un chamando-o de “gordo e baixote”. É um mecanismo previsível. Não hesita, não silencia, não transige. E, quando sente alguma ameaça, ataca. “Se alguém te ataca, ataque-o de volta dez vezes. Assim, pelo menos você se sente bem”, defendia Trump quando dava aulas sobre como vencer no mundo dos negócios.

Pode ser que essa forma feroz de actuação lhe tenha rendido muito sucesso na sua época de tubarão do sector imobiliário. Mas, desde que atravessou o portão da Casa Branca, a 20 de janeiro de 2017, faz o mundo estremecer. “A sua autoestima é um perigo. Quando se sente ofendido, reage impulsivamente, construindo uma narrativa de autojustificativa que independe dos factos e que é sempre voltada para responsabilizar terceiros”, escreveu Toni Schwartz, o homem que actuou como sua sombra durante mais de um ano e que escreveu A arte da negociação, best-seller autobiográfico de Trump.

Essa tendência acentuou-se. Aqueles que achavam que a sua chegada à Casa Branca o domesticaria enganaram-se. Aos 71 anos de idade, com cinco filhos, nove netos, 500 empresas e uma fortuna superior a 3,5 bilhões de dólares, Trump continua a agir de forma selvagem e totalmente à solta.

“Ele é perigosamente instável para alguém que tem a responsabilidade nuclear. Não suporta uma crítica banal, e muitas das suas respostas tendem a expressar um comportamento violento”, explica Bandy X. Lee, professora da Faculdade de Medicina de Yale, que fez um enorme barulho nos EUA ao pedir, juntamente com outros 27 psiquiatras, que Trump seja submetido urgentemente a um exame psicológico. Trata-se de um pedido que, embora minoritário e carente de apoio por parte da Sociedade Americana de Psiquiatria, levou um grupo de parlamentares – todos eles democratas, com apenas uma excepção — a encontrar-se com a professora Lee. Por trás dessa reunião estava o desejo da oposição de atacar Trump, mas também a perplexidade provocada pelo seu comportamento.

Educado por um pai implacável, Trump vive sob uma tensão permanente. Diferentemente do seu irmão mais velho, que morreu de coma alcoólico aos 42 anos, ele resistiu. “Fui colocado nos negócios muito jovem; o meu pai me intimidava, como fazia com todos, mas eu continuei ao lado dele e conquistei o seu respeito. A nossa relação era quase profissional”, afirma em A arte da negociação.

Forjado sob uma rigidez total, a vida tornou-se, para ele, um puro combate. Um sistema binário em que só se ganha ou se perde. “Ele está em guerra com o mundo e só enxerga uma saída: dominar. É na conquista que Trump adquire sentido para si mesmo”, observa Schwartz.

A consequência de tal atitude é que, longe de adoptar a postura olímpica de certos presidentes uma vez vencidas as eleições, o bilionário continua em campanha. Não há um só dia em que não distribua agrados aos seus apoiantes e deprecie os opositores. Os mexicanos, os democratas, os republicanos fracos. Tem uma bala na agulha voltada para todos eles. Como mostra uma enquete do The Washington Post, no seu mandato a polarização social atingiu o mesmo nível registado durante a Guerra do Vietname. Essa fractura constitui, até o momento, o seu maior legado e o abismo do qual, previsivelmente, emergirá a sua Nêmesis.

Um outro efeito disso tudo é de ordem interna. Segundo relatos jornalísticos, a Casa Branca virou uma panela de pressão. Homem educado na busca de rentabilidade imediata, ele engole os seus colaboradores. Grita com eles nas reuniões e fulmina aqueles que falham. Tombaram neste ano vertiginoso o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn; o chefe de gabinete, Reince Priebus; o porta-voz, Sean Spicer; o director de Comunicações, Anthony Scaramucci; e o estrategista-chefe, Steve Bannon. Outras figuras tão poderosas quanto essas, como o procurador geral, Jeff Sessions, e o secretário de Estado, Rex Tillerson, encontram-se na corda bamba e já foram atacadas publicamente pelo presidente.

Dos que estão sob sua égide directa, encontram-se a salvo apenas um pequeno grupo de militares (Trump é apaixonado pelos galardões), sua filha mais velha, Ivanka, e seu genro, Jared Kushner. O restante sabe que pode cair a qualquer momento. E o motivo pode ser inconfessável. O diplomara John Bolton, segundo o polêmico livro Fogo e Fúria, do jornalista Michael Wolff, foi descartado para o posto de conselheiro de Segurança porque Trump não gostava do seu bigode. Colaboradores mais próximos, por seu lado, foram tripudiados abertamente: ele odiava o facto de Priebus ser baixinho, a forma de vestir de Spicer e de Bannon, o “constante choramingo” da conselheira Kellyanne Conway e até mesmo a adulação pegajosa do próprio Kushner.

“Mais cedo ou mais tarde, todos os que estão com Trump acabarão enxergando um lado de si mesmos que os levará a se perguntar por que optaram por trabalhar com ele”, escrevem no substancioso livro Deixe Trump ser Trump dois antigos (e demitidos) assessores de campanha, Corey Lewandowski e David Bossie.

Diante de características como essas, a pergunta que ocorre é óbvia. Como Trump conseguiu ganhar as eleições e se conectar com seus quase 63 milhões de eleitores? Os seus defensores enaltecem a sua transparência. Dizem que Trump não esconde o seu lado humano e que é sincero nas suas manifestações. Odeia e ama. Grita e aplaude. Segundo essa visão, ele não aspira a uma imagem edulcorada, mas exibe as suas entranhas ao público como ninguém jamais havia feito antes.

Isso gera entusiasmo entre os seus eleitores mais radicais. E afasta os seus detractores. “Não mudou quase nada em relação ao que era na campanha. Provoca divisões, e o seu objectivo é manter a sua base”, afirma o presidente do Comité Nacional Democrata, Tom Pérez.

Indo contra toda a tradição presidencial norte-americana, Trump deixou de lado o objectivo de governar para todos. Venceu como uma figura marginal e continua a agir, ao menos na superfície, como tal. Essa heterodoxia o ajuda perante o seu núcleo duro, que não o enxerga como aquele monstro descrito pela imprensa progressista. Ao contrário, a agitação excessiva de uma certa esquerda irrita muitos conservadores. “A maioria das pessoas que o detestam não conhece ninguém que trabalha com ele ou que o apoia. Tira informações de outros que também o detestam, o que é uma fórmula perfeita para a clausura epistêmica”, escreveu o comentarista conservador David Brooks.

Para os seus, o presidente é basicamente um sujeito simpático e resoluto. Imagem que ele procura aprimorar abrindo, vez por outra, o seu coração. Por exemplo, quando está com crianças, momento em que se mostra como um avô brincalhão, ou ao recordar o seu irmão falecido. Mas o que excita realmente a sua base é quando ele mostra a cara.

Trump se vangloria de não fugir de entrevistas, nem mesmo com jornalistas críticos. A vibração pública o excita. Pode se reunir com uma dezena de parlamentares democratas decididos a lhe arrancar a pele e, sem aviso prévio, determinar que o encontro seja transmitido ao vivo para que o país inteiro o acompanhe. Quando se soube na Casa Branca que o procurador especial do caso da trama russa poderia querer interrogá-lo, manifestou o seu desejo de fazer o depoimento em público e não por escrito.

Showman consumado, possivelmente busque através das cámaras a absolvição. E em muitas ocasiões a obtém. Mas a agitação jamais o abandona, tão pouco o tubarão que carrega dentro de si. Vive em permanente competição consigo mesmo. Imune ao escândalo, tudo o que lhe importa é ganhar. Se Wall Street regista um dia histórico, faz questão de alardear aos quatro ventos que o mérito é dele; se o desemprego diminui, é a mesma coisa. Nesse sentido, tem mais abjecção pela derrota do que pela mentira. E prefere qualquer polêmica à admissão de um fracasso. Tanto é assim que, se um candidato que ele apoiara perde, Trump apaga os tuites que escrevera em sua defesa. Da mesma maneira, continua a não admitir que Hillary Clinton ganhou no voto popular, atribuindo esse facto a uma impossível fraude eleitoral.

Em ebulição constante, contou num ano, segundo o The Washington Post, mais de 2.000 mentiras ou meias verdades. Um festival de irrealidade diante do qual uma parcela da população já deu o braço a torcer. “É incrível como o público se acomodou ao que ele faz. É o que mais chama a atenção na presidência”, comenta Julian E. Zelizer, professor de História e Questões Públicas da Universidade de Princeton.

Além disso, Trump pode entrar em erupção a qualquer momento. A incerteza é a marca da sua presidência. Nunca se sabe qual passo dará nem quais dentes irá mostrar. Pode participar numa homenagem às minorias raciais e no dia seguinte chamar o Haiti, El Salvador e as nações africanas mais pobres de “países de merda”. “E ele não vai mudar. É um homem de 71 anos que passou a vida ludibriando as pessoas. A única coisa que pode acontecer é que se torne mais errático”, afirma o biógrafo e Prêmio Pulitzer David Cay Johnson.

Tão pouco na intimidade as coisas se alteram. São conhecidas as broncas que dá em colaboradores e até mesmo o serviço de limpeza teme as suas manias. Germófobo reprimido, não permite que toquem nos objectos pessoais nem nos seus controles remotos de televisão ou na sua escova de dentes, e ele mesmo arruma a sua cama e decide quando os lençóis devem ser lavados. “Se minha camisa estiver no chão, é porque eu quero que ela esteja no chão”, chegou a dizer a funcionários da Casa Branca.

A residência oficial não o comove. Até agora, passou um terço do mandato em mansões particulares, seja na luxuosa Mar-a-Lago (Flórida), no seu clube de golfe em Nova Jersey ou num complexo hoteleiro de sua propriedade em Virgínia. Quando decide ficar em Washington, foge da vida social e, diferentemente de Obama, quase nunca sai para comer fora.

Na Casa Branca, o seu cardápio predilecto varia entre um belo filé com fritas e um Big Mac com milk shake de chocolate. Coisa rápida e sem complicações. Em geral, odeia as refeições longas: detesta perder tempo com elas. Tempo é ouro, e ele é o seu ourives. Talvez por causa disso Trump tenha encurtado a sua jornada de trabalho na Casa Branca. Enquanto George Bush filho entrava no trabalho no início da manhã e Obama a partir das nove, ele decidiu chegar às onze. “Às vezes parece que continua a agir como se não fosse governante e estivesse num estúdio de televisão”, observa o comentarista Walter Shapiro.

A agenda é organizada pelo seu chefe de gabinete, o general John Kelly. Um mariner reconhecido pelo seu patriotismo, que conseguiu colocar alguma ordem ao seu entorno caótico. O presidente lida com relatórios, reuniões e declarações em contacto permanente com Kelly e sempre bebendo Coca-Cola light (são 12 por dia).

Não há unanimidade em relação às suas qualidades. Em Fogo e fúria, ele é pintado como um “garotão”, ignorante, e com uma capacidade de concentração tão pequena que, quando um assessor quis lhe explicar a Constituição, não conseguiu ir além da quarta emenda. Outros depoimentos falam de uma pessoa que, na verdade, cobra brevidade e argumentos claros. Lembram que, no primeiro semestre do ano passado, quando decidiu abandonar o Tratado de Livre Comércio do Norte, o seu secretário da Agricultura conseguiu convencê-lo a não dar esse passo com um mapa que mostrava as regiões que tinham votado maioritariamente nele e que sofreriam com essa decisão. “Não podemos fazer isso com os produtores rurais”, concluiu o presidente.

Concluída a jornada de trabalho oficial, o jantar costuma ser servido às sete da noite com convidados filtrados por Kelly. Embora o cardápio possa ser amplo, o filé com batatas fritas está sempre à disposição. Depois disso vêm as horas mais incertas.

Mantém-se activo até a meia-noite. Sempre sobram telefonemas, reuniões ou conversas, mas pouco a pouco os funcionários mais próximos vão se retirando e o mandatário fica sozinho. As telas ligadas, os tuites cada vez mais constantes. O mundo gira e Trump se prende à televisão. Para assistir ao seu próprio show.

Por Jan Martínez Ahrens, El Pais/Brasil