Edmundo_galiza_matos_palAldeia Maganja (Península de Afungi): cerca das 10 horas de uma sexta-feira. Debaixo de uma frondosa mangueira, tudo a postos para a entrevista a Salimo Mahando, Secretário do Comité de Reassentamento local. Do nada, começa uma ventania desgraçada vinda da costa, situação que nos levou a ter que mudar para o interior de um alpendre precário ali perto, para assim poder realizar uma gravação livre da interferência do vento. A entrevista já decorria há uns bons minutos, o vento ‘assobiava’ com intensidade lá fora. E eis que o Mahando solta um grito e diz, alarmado: “Vamos sair daqui já!”. O tecto de macuti estava já sobre as nossas cabeças e só não nos atingiu porque o jovem Mouzinho Atanasio Cosme Mpalakele da Radio Comunitária de Palma foi suficientemente rápido – susteve firme o tecto com a ajuda de uma estaca, a custo diga-se, permitindo assim que saíssemos de cócoras do alpendre. O Mouzinho, ainda lá dentro segurando a estaca, largou-a ao mesmo tempo que, ágil, pulava para fora, a salvo. É claro que tudo isto foi gravado e, quando a entrevista prosseguiu, foi retomada com a pergunta ao líder do Comité: “Mahando, parece que um de nós aqui tem problemas!”. Transpirando por todos os pôros, o Mahando disse mais ou menos isto: “É estranho. Tenho que investigar”. Soubesse ele que fui ‘vacinado’ por Ningore, o próprio, no bairro Nandadwa, em Mocímboa, no ido ano de 1989, saberia com quem estava a lidar.

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