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Jovem macua da aldeia Monjane, Palma, Cabo Delgado/EGMatos

Já fui dos que se deixavam impressionar no primeiro vislumbre. Deparava-me com algo, uma cara bonita por exemplo, e soltava logo o “wuá” de espanto. Foi assim durante uma boa parte da minha vida. Mesmo quando, ainda adolescente, um padre amigo e apaixonado pela fotografia, o Luís, em Pemba, me chamou a atenção para essa armadilha, quando na sua cámara escura, dizia mais ou menos isto: “Na arte de fotografar rostos não te fies no primeiro relance, o bonito pode estar escondido naqueles que não chamam logo a tua atenção”. De Camilo de Sousa, o cineasta, ouvi o mesmo conselho. Nestes dois ou trés anos que me dedico, ainda que amadoramente, à arte de fotografar, tenho sempre presente as lições dos dois mestres. Sorte minha porque, estando a trabalhar em Cabo Delgado há pouco mais de um ano, tenho a possibilidade de retratar gentes e terras anónimas, longe dos holofotes dos media e das redes sociais, e, mais importante, no seu habitat natural, genuíno se quiserem. (Por Edmundo Galiza Matos)

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