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Jovens mulheres da vila de Palma/Foto Edmundo Galiza Matos

Lugarejo esquecido nos confins, Palma vem sendo sacudida, a partir de 2012, por ventos e ondas paridas nas profundezas do oceano. Nada igual houvera sido visto antes. As gentes da terra, no ramerrame há séculos, são envolvidas num turbilhão causado por ‘vientes’, que trazem consigo gigantescas máquinas e que, dai há pouco, começaram a sulcar, numa doida correria, as vielas esburacadas e as aguas mansas do mar ali perto. Tudo e todos ganham nova vida, adquirem asas. O vende e compra de rua – um mister inoculado pelos árabes – agiganta-se e o dinheiro, muito dinheiro, circula até pelas mãos dos indigentes. Os bancos acotovelam-se, o gigante Standard Bank divide paredes com o Millennium BIM, e o BCI já pensa em abrir mais um balcão. Garridas capulanas engalanam as mulheres, os cofiós ricamente bordados e veículos motorizados sinalizam novos estatutos. E abrem-se hospedarias para todos os bolsos. E os botequins implantam-se em qualquer esquina. Espaços desocupados ou em pousio são sinalizados indicando propriedade. Hoje esta-se como que no início de uma prova de fundo: os atletas, em posição de arranque, esperam pelo apito para o início de uma corrida em que todos, se inteligentemente preparados, podem sair a ganhar. E muito.

Por Edmundo Galiza Matos

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