Ritos_iniciação_mocimboa_edmundo_matosO sol não se atrevera ainda a despontar, sou arrancado do sono por uma barulheira de xipalapalas, vuvuzelas e apitadelas. Por uma frincha da janela vejo apenas o reflexo da lua sobre as aguas mansas da praia. A estridência prosseguia e sou impelido a sair do contentor feito quarto para saber o que se passava. Difusos entre a bruma, consigo ver vultos a saltitar grotescamente, uns a entrar na agua aos gritos e risos, a perseguirem-se uns aos outros, ou a rebolar no tapete cristalino de areia. Tratava-se afinal de crianças, muitas, e adolescentes. Todas do sexo feminino. Cerca de uma centena. Duas ou trés mulheres parecem ser as líderes daquele grupo. Aproximo-me delas e sou recebido cordialmente depois do meu roufenho “bom dia”. Ritos de iniciação, fico a saber. E adiantam logo, para desfazer a minha estranheza – “Estão a lavar as impurezas do corpo”, diz uma delas. Sou autorizado a tirar fotografias.

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