FB_IMG_1541602410941

Por Luís Loforte

Costumo contar algo sempre que uma alma ligada intimamente a mim faz anos. E naturalmente quando o tempo me sobra. É sobre o Edmundo Galiza Matos, pois, que versará o post que lavro. Ele faz anos, hoje, 64. Nasceu, como eu e de ventre comum, em Inharrime, e curiosamente sendo a mesma parteira a assistir a nossa eclosão: Amélia (Madahu) Salomão.

Tivemos destinos opostos em finais de 1955, ele para Moamba, e eu para Matacalane, Inhambane. Pouco tempo depois, porém, a distância que nos separava haveria de diminuir quando ele vai viver para casa de nossos tios maternos, Samuel Simão Sengo/Rosa Mucambe, em Cambine. Mas só por algum tempo, pois um famoso professor que por lá leccionava, o Manuel Paixão (curiosamente pai de uma nossa amiga, a Telmina Pereira), mexeu alguns cordelinhos para que o “miúdo ruivo” não medrasse naquele ambiente agreste. E assim retornou o Edmundo à Moamba, mas não sem antes passar uma temporada em Matcalane, em casa dos avós maternos, onde também me encontrava. Dando um salto no tempo, e tudo para grafar a história que vos reservo, chego ao período em que juntos vivemos em Lourenço Marques, em casa do “Ti-Pedro”. Aí, as histórias são imensas, com destaque para esta:

A Moamba e o Sábiè eram o celeiro de praticamente tudo em LM. De lá chegava, da nossa mãe, o que se destinava ao consumo, e outra para a venda, em banca no Xiphamanine, mais concretamente no Guro, alí em frente ao Espada. A verdade é que éramos sempre os primeiros a esvaziar a banca de tomate, repolho, cebola, pepino. Os clientes tinham uma preferência especial pelos nossos produtos, não porque eles fossem melhores que os dos outros vendedores. Havia algo que os atraía, algo que se tornava imperioso capitalizar. Notei que as pessoas achavam curiosa a presença de um “xilungwana” (branquinho), ainda para mais de cabelo ruivo e traquina, entre as bancas. Então, decidi: “ficas sempre aí que tudo se vai esgotar rapidamente”. Se melhor pensei, melhor o fiz, pois resultou em cliente atrás de cliente: “a xilungwana lexi xa yitiva a male hé wena!” (este branquinho conhece bem o dinheiro, pá!). Mas o dinheiro era imediatamente recolhido, evitando assim o risco de ir cair nas mãos dos vendedores de “ti fiosse” e “ma djalibi”!

Edmundo foi um brilhante jornalista, um óptimo radialista, e hoje um alto bloguista, significando isto, portanto, que ele foi sempre cabeça de cartaz, em tudo, até no mercado do Guro, em Xiphamanine.

Na foto abaixo, mostrando, pacientemente ao meu neto André, de quem é muito amigo, os caminhos por si percorridos na infância distante, em Matacalane. Parabéns, “Magunhungo”!

FB_IMG_1541602394656

Anúncios