Texto e fotos: Edmundo Galiza Matos, em Palma

Mozreal_1

No sétimo dia do passado mês de Outubro, um domingo, aconteceu aquilo que há muito ansiáva, mas muitas vezes adiado por outros afazeres mais urgentes. A oportunidade apresentou-se, não a desperdicei. Eufóricos, fui visitar um dos marcos históricos mais espectaculares da província de Cabo Delgado; um símbolo moçambicano erguido pelas autoridades coloniais portuguesas, que muitos não conhecem, ou sequer ouviram falar. Logo nas primeiras horas da manhã daquele dia, peguei a estrada que liga a vila de Palma a Quionga, um troço de terra batida há muito a precisar de reparação. Dezena e meia de quilómetros percorridos, enveredei por um desvio que me levou até ao objecto do meu desejo – o famoso e enigmático Farol de quarenta e três metros de altura, erguido há 87 anos no chamado Cabo Delgado.

Mozreal_3

Foi uma penosa mas gratificante aventura: até ao lugar onde está implantada a imponente estrutura de cimento armado, fiz um troço de apenas cinco quilómetros, todo ele incrustado de pedregulhos pontiagudos, cinco quilómetros marginados por árvores, arbustos, capim alto e lianas entrelaçadas de forma desordenada. O cenário circundante denuncia o habitat característico da vida selvagem. A viagem durou quase uma hora. Ou seja, cinco quilómetros em quase sessenta minutos. Pessoas a circular por ali? Não vi uma única sequer. O jovem Jamaldine, o meu guia, confirmou o que já imaginava: estava a embrenhar-me nas terras do fim do mundo.

Mozreal_4

O faroleiro foi a primeira pessoa que avistei e com quem troquei as primeiras impressões. O homem, satisfeito por estar diante de alguém que de certo iria quebrar a monotonia do seu dia a dia, colocou-se de imediato à minha disposição, respondendo a todas as perguntas com entusiasmo. Com ele visitei o Farol de Cabo Delgado, entramos nas casas meio arruinadas outrora destinadas aos guardas do local e, quando me dei por satisfeitos, convidou-me a visitar uma comunidade de pescadores situada a menos de um quilómetro dali.

Mozreal_8Mozreal_7

O local – que alguns preferem chamar de acampamento e outros de aldeia – é habitado maioritariamente por pescadores, alguns deles com as respectivas famílias. Depois tem-se uma pequena legião de negociantes, ou seja, indivíduos que ali se encontram para comprar o peixe e outros produtos do mar, transportando-os depois para outros pontos de Moçambique e mesmo para a vizinha República Unida da Tanzania. Simuco é o nome da aldeia, assim se chama o acampamento. Sempre acompanhado pelo solícito faroleiro, e à sombra de alguns coqueiros de baixo porte, entabulei conversa com uma mão cheia de “notáveis” locais.

Mozreal_2

Mozreal_5

Juntos embrenhamo-nos pelas terras do fim do mundo – visitamos o famoso mas ao mesmo tempo desconhecido farol do Cabo Delgado, um marco histórico importante desta província do norte de Moçambique. Dos pescadores e negociantes de peixe que habitam o local registei narrativas sobre a realidade de uma região remota da província de Cabo Delgado, do meu país. É meu desejo que os leitores tenham enriquecido um pouco mais os seus conhecimentos sobre a vida de outros moçambicanos habitantes de zonas longiquas e de difícil acesso.

Mozreal_6

Anúncios