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Comboio da mineradora Vale

A empresa ferroviária estatal moçambicana CFM deverá perder 36,8 milhões de euros anuais com a saída da empresa mineira brasileira Vale da linha-férrea de Sena, centro de Moçambique, estima a companhia.

“Perdemos um grande fornecedor de mercadorias nesta ferrovia”, declarou Augusto Abudo, diretor-executivo dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) na região centro, citado hoje pela Rádio Moçambique.

“A nossa obrigação é fazer um esforço para recuperar outros clientes. As áreas operacionais e comerciais estão a trabalhar nesse sentido”, acrescentou.

A linha de Sena liga a cidade portuária da Beira, em Sofala, e a vila de Moatize, em Tete, onde desde 2011 funcionam minas de carvão da Vale.
A empresa anunciou em 2016 que ia deixar de usar a linha devido à insegurança e baixa capacidade do volume de escoamento, passando a usar “exclusivamente” a linha de Nacala, infraestrutura que construiu em consórcio.

A nova linha parte de Moatize e segue para norte, atravessando o Maláui e reentrando em Moçambique na província de Nissa, cruzando Nampula, em direção ao porto de Nacala.

“Agora usamos exclusivamente a linha de Nacala para o escoamento do carvão” anunciou Rogério Cendela, especialista técnico de carvão da Vale, durante uma visita às minas, em novembro.

Aquele responsável justificou a medida com os ataques a locomotivas durante o conflito entre a Renamo e as forças de defesa e segurança moçambicanas, atualmente sob um cessar-fogo iniciado em dezembro de 2016.

Por outro lado, a linha de Sena escoava em media seis milhões de toneladas por ano, contra as atuais 18 toneladas da linha de Nacala, onde as operações de carregamento de navios em águas profundas têm também menos custos.

A Vale opera com sete comboios em contínuo na nova linha, para escoar maiores quantidades de carvão e maximizar o investimento.

Fonte:Lusa

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