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Em 2010, diplomata americano John Feeley faz discurso no México – ELIANA APONTE / REUTERS

O embaixador dos EUA no Panamá, John Feeley, renunciou ao seu cargo nesta sexta-feira por se recusar a trabalhar para o presidente Donald Trump. Segundo o veterano da diplomacia, ele não se sente capaz de servir fielmente ao republicano, indicando que discorda das suas posições políticas. A decisão foi anunciada após mais uma polêmica provocada pelo chefe da Casa Branca, que chamou o Haiti e países africanos de “países de merda” na quinta-feira.

“Como funcionário de Relações Exteriores, firmei um juramento para servir fielmente ao presidente e ao seu governo de maneira apolítica, inclusive se não estiver de acordo com algumas políticas”, disse Feeley na sua carta de renúncia. “Meus instrutores deixaram claro que, se eu acreditava que não poderia fazer isso, teria que renunciar. Esse momento chegou”.

O diplomata deixará o cargo oficialmente a 9 de março deste ano, num momento de tensa diplomacia para os EUA. Trump provocou condenações generalizadas da ONU, da União Africana e do governo haitiano após ter chamado diversas nações de “países de merda” num encontro com congressistas, segundo relataram pessoas próximas presentes na reunião.

“Por que estamos com todas essas pessoas destes países de merda vindo aqui?”, teria questionado Trump (citando a palavra shithole), que de acordo com as fontes referia-se aos países africanos e ao Haiti. “Por que queremos pessoas do Haiti aqui?”

O presidente negou pelas redes sociais que tenha usado essa expressão, embora reconheça que a sua linguagem foi dura.

“A expressão usada por mim na reunião DACA foi dura, mas essa não foi a expressão usada. O que foi realmente duro foi a estranha proposta feita — um grande passo para trás para a DACA!”, afirmou Trump na rede social.

Uma autoridade de direitos humanos da ONU chamou de “racistas” e “vergonhosos” os insultos do presidente: “Se for confirmado, são comentários chocantes e vergonhosos por parte do presidente dos Estados Unidos. Perdão, mas não existe outra palavra do que ‘racistas'”, declarou o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, em conferência de imprensa em Genebra.

 

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