Frelimo_congresso_xi_setembro_2017Analistas consideraram hoje que a decisão do Presidente de Moçambique de exonerar quatro ministros de uma só vez vem na sequência da reorganização da Frelimo, partido no poder, realizada no último congresso.

Fernando Lima, comentador político e presidente do grupo de comunicação social Mediacoop, enquadrou esta remodelação nos “ajustamentos decorrentes do 11.º Congresso da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo)”, realizado no final de setembro.

“O Presidente optou: em vez de fazer uma remodelação global logo nessa altura, decidiu ir fazendo pequenos ajustes deste então e esta é a maior remodelação que, entretanto, ocorreu”, disse à Lusa.

Não foi a única, acrescentou, recordando que já houve “mexidas nas forças de defesa e segurança, provavelmente com maior impacto do que estas” que as que ocorreram na terça-feira, além de outras no elenco governativo.

Por outro lado, nesta saída de quatro ministros, há exonerações que correspondem a um fim de ciclo político e outras que podem levar a nomeações para outros cargos, acrescentou.

“Com a entrada de novas figuras na Comissão Política [de Frelimo] e a retirada de outras, já era previsível que o Presidente iria remodelar a sua máquina”, referiu à Lusa Elcídio Macuacua, historiador e comentador político.

As mudanças abrangem setores chave, sublinhou, considerando que “alguns ministros não souberam dar seguimento aos ideais do Presidente da República” ou que não estariam a implementar as linhas orientadoras ditadas pelo Congresso da Frelimo.

“Bem sabemos que temos um Presidente que deve prestar contas ao partido e o partido tem a sua palavra a dar” na escolha de membros “no seio do Governo”, acrescentou.

Nyusi precisa de conquistar eleitorado, referiu ainda Elcídio Macuacua, pelo que terá também havido necessidade de “tomar a dianteira” para fechar este mandato com uma nova imagem, de maneira a tentar desde já salvaguardar o próximo, a que se candidata – sendo que as eleições gerais estão marcadas para 2019.

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, exonerou na terça-feira quatro ministros.
Deixam o executivo Oldemiro Balói, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Ernesto Tonela, ministro da Indústria e Comércio, e Letícia Klemens, ministra dos Recursos Minerais e Energia.

As exonerações foram anunciadas através de comunicado da Presidência da República divulgado ao princípio da noite, sem esclarecer quais as razões para esta remodelação governamental e sem adiantar quem vai ocupar os lugares.

Oldemiro Balói era a figura que ocupava a mesma pasta há mais tempo, desde 2008, no entanto, a saída era comentada nos meios políticos depois de não ter conseguido reunir votos suficientes para garantir a sua manutenção no Comité Central da Frelimo, durante o 11.º Congresso.

Apesar de tal não constituir impedimento legal para exercer a função de ministro, foi visto como uma condicionante política.

Os dois analistas consideraram que a substituição neste “ministério chave” dever ocorrer rapidamente porque não existe vice-ministro desde a saída de Nyeleti Mondlane para ministra da Juventude e Desporto, não tendo sido substituída.

Elcídio Macuacua referiu que o novo ministro terá a “missão espinhosa de arrumar a casa” e considerou a saída de Balói uma necessidade de refrescar o cargo.

“Os dirigentes quando ficam mais tempo nos cargos acabam perdendo sensibilidade para determinados processos”, sublinhou.

O ministro com mais tempo de Governo entre os exonerados é José Pacheco, nomeado Ministro do Interior em 2005, tendo sido nomeado em 2010 para a pasta da Agricultura, até agora.

Max Tonela estava no cargo desde que o atual executivo tomou posse, em 2015, e era, na altura, administrador da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB).

Só Letícia da Silva Klemens não entrou no elenco do executivo desde o início: foi empossada em outubro de 2016 e era presidente da Mesa da Assembleia Geral do banco Millennium BIM, liderando também a Associação das Mulheres Empresárias e Empreendedoras Moçambicanas (FEMME).

Esta foi a terceira mexida que Nyusi fez no Governo nas últimas cinco semanas, depois de ter indicado Celmira da Silva, governadora de Cabo Delgado, norte do país, para vice-ministra da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural.

Dias mais tarde, exonerou Alberto Nkutumula do cargo de ministro da Juventude e Desportos para nomear em sua substituição Nyeleti Mondlane que, na altura, exercia o cargo de vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

Fonte: Lusa

 

Anúncios