As exportações de bens e serviços da União Europeia para Moçambique caíram 23% no ano passado, para 681 milhões de euros, o que agravou o saldo negativo para a Europa para 644 milhões de euros.

De acordo com os dados do organismo oficial de estatísticas da União Europeia, o Eurostat, disponibilizados à Lusa, as exportações de bens e serviços da UE para Moçambique passaram de 982 milhões de euros, em 2015, para 681,6 milhões de euros, o que contribuiu para um agravamento do saldo negativo da balança comercial com este país africano.

As importações de produtos moçambicanos para a Europa têm-se mantido relativamente estáveis desde 2014, tendo passado de 1,3 mil milhões de euros, nesse ano, para 1,4 no ano seguinte e depois descido novamente para 1,3 mil milhões de euros, no ano passado.

Depois de uma subida de 894 milhões, em 2014, para 982 milhões em 2015, no ano passado as exportações europeias para Moçambique desceram para 681,6 milhões de euros, o que desequilibrou ainda mais a balança comercial, que regista o valor mais elevado desde pelo menos 2014.

Desde o ano passado que Moçambique enfrenta uma crise financeira motivada pela divulgação de empréstimos escondidos de empresas públicas com aval do Estado, que aumentaram exponencialmente o rácio da dívida pública face à riqueza produzida no país.

A degradação das contas públicas acabou por motivar um forte abrandamento económico, o corte da ajuda dos doadores internacionais ao Orçamento do Estado e a descida do ‘rating’ do país devido ao incumprimento financeiro (‘default’) no final do ano passado.

No relatório do Banco Africano para o Desenvolvimento, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e Nações Unidas sobre as ‘Perspetivas Económicas Africanas’, divulgado em maio, os autores alertam que o Governo moçambicano tem de enfrentar as pressões internas, melhorar a governação e garantir a consolidação orçamental necessária para relançar o crescimento económico.

“Uma perspetiva de consolidação orçamental credível é crucial para garantir a sustentabilidade da dívida, assente na reestruturação da dívida comercial”, refere o relatório divulgado em Ahmedabad, na Índia.

“A determinação política necessária vai enfrentar resistência interna, particularmente quando lidar com questões de governabilidade e responsabilização, e na resolução do conflito político-militar, acrescenta o documento.

De acordo com os peritos destas entidades, Moçambique registou um abrandamento económico para 4,3% no ano passado, mas vai acelerar já este ano para 5,5% e expandir este crescimento para 6,8% no próximo ano.

“Uma recuperação nas exportações de carvão e eletricidade, em conjunto com o previsível início de um projeto de gás natural ao largo da costa”, serão os principais alicerces do crescimento moçambicano, ainda assim abaixo da média dos últimos anos.

A quinta cimeira UE/África decorre entre 29 e 30 de novembro em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim, com o tema ‘Investir na Juventude para um futuro sustentável’, e deverá contar com cerca de 80 chefes de Estado e de Governo dos países europeus e africanos

A primeira cimeira UE-África, que se realizou no Cairo (Egito) em 2000, foi promovida por Portugal, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em 2007, novamente sob a égide da presidência portuguesa, Lisboa acolheu a segunda edição destas cimeiras.

Fonte: Lusa

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