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Centro da cidade de Nampula

Os três principais partidos moçambicanos saudaram hoje, em declarações à Lusa, a decisão do Governo de marcar eleições intercalares no município Nampula para 24 de janeiro e dizem que estão preparados para o escrutínio.

“A Renamo saúda a marcação da eleição intercalar do presidente do município de Nampula, porque a decisão vai permitir o preenchimento do vazio causado pelo assassinato do edil eleito”, declarou à Lusa o porta-voz daquele partido, António Muchanga.

Apesar de saudar a decisão, o dirigente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) lamenta a “demora”, considerando que o escrutínio devia ser realizado mais cedo “para reduzir o vazio governativo em que o município de Nampula se encontra mergulhado.

“A Renamo tem consciência de que o edil que for eleito terá muito pouco tempo [de mandato], dado que há eleições municipais em outubro de 2018, mas é uma questão de lei”, acrescentou Muchanga, que não quis avançar o nome do candidato que vai concorrer pelo maior partido de oposição em Moçambique.

Por sua vez, o porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Caifadine Manasse, disse à Lusa que Nampula precisa de “estabilidade de governação” e as eleições intercalares vão permitir que o partido mais bem preparado tome os destinos do município.

Apesar de a conjuntura económica não ser ideal para realização de um escrutínio intercalar, em alusão à crise que o país atravessa, aquele responsável aplaude o Governo pela decisão, que respeita a lei.

“Nós estamos preparados para as eleições”, disse o porta-voz do partido no poder em Moçambique desde a independência (1975), acrescentando que em tempo oportuno será revelado o nome do candidato.

A Lusa tentou contactar o porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), partido que governa o município de Nampula, mas sem sucesso.

Em declarações à Rádio Moçambique, José de Sousa, deputado do MDM, disse que o seu partido está empenhado em trabalhar para vencer em Nampula, sem avançar o nome do candidato.

O Governo moçambicano anunciou, na terça-feira, que as eleições autárquicas intercalares em Nampula, norte do país, vão decorrer a 24 de janeiro de 2018.

O presidente do município de Nampula, Mahamudo Amurane, foi morto a tiro à porta de casa, naquela cidade, a 04 de outubro.

Manuel Tocova assumiu o município como presidente interino e, depois de ser empossado, substituiu os dez vereadores e seis chefes de postos administrativos.

O Ministério Público contestou a decisão devido ao caráter temporário das funções de Tocova e o Tribunal Administrativo de Nampula anunciou na última semana que vai analisar o pedido de anulação das substituições.

Entre os nomeados por Tocova estão pessoas afastadas por Amurane por suspeitas de corrupção.

Fonte: Lusa

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