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O analista da BMI Research que segue a economia de Moçambique considera que o Governo não está a esforçar-se para responder às exigências do FMI e que há motivações políticas para a falta de transparência.

“Não estamos a ver um esforço verdadeiro para cumprir as exigências por parte de Maputo”, disse David Earnshaw à Lusa, acrescentando que “parece haver uma motivação política por detrás da falta de transparência sobre as contas do Governo, mesmo depois da auditoria da Kroll”.

Para este analista, “o mesmo pode provavelmente ser dito sobre a recusa do executivo em dar prioridade aos detentores de títulos de dívida pública face aos credores dos empréstimos escondidos”.

Em outubro do ano passado, o ministro das Finanças de Moçambique anunciou aos investidores, em Londres, que o país não iria honrar os compromissos financeiros da dívida pública e dos empréstimos das empresas públicas Mozambique Asset Management (MAM) e Proindicus, num valor total acima dos 2 mil milhões de dólares.

A decisão do executivo acelerou o abrandamento económico e precipitou a descida do ‘rating’ por parte das agências de notação financeira, além de, na prática, ter arredado Moçambique do financiamento internacional.

Nos últimos 12 meses “tem havido uma desapontante falta de progresso nas negociações entre as partes, mas isto não é propriamente surpreendente”, diz o analista, lembrando que a posição de Moçambique, de querer que todos os credores se juntem numa só plataforma, é rejeitada pelos credores dos títulos de dívida pública, que dizem já ter aceitado uma redução nos pagamentos face aos credores que emprestaram as verbas às empresas públicas.

“A questão, agora, é saber quanto tempo é que o Governo está disposto a aguentar a exclusão dos mercados financeiros internacionais e do envolvimento do Fundo Monetário Internacional, que é a consequência” desta atuação, vinca David Earnshaw.

Para os próximos meses, este analista acredita que a pressão para aceder aos mercados financeiros “vai aumentar com a aproximação das eleições presidenciais de 2019”, apesar de a economia moçambicana ter conseguido evitar uma recessão em consequência do ‘default’ (incumprimento financeiro) em que o país entrou em janeiro deste ano.

“A economia comportou-se relativamente bem face às expetativas iniciais no seguimento do ‘default’ graças ao aumento dos preços das matérias-primas e a um surpreendente volume de investidores estrangeiros interessados nos projetos de infraestruturas, o que alivia a pressão do Governo para ceder às pressões do FMI e dos detentores dos títulos de dívida”, concluiu David Earnshaw.

Fonte: Lusa

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