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Mina de carvão em Moatize, Tete, Centro de Moçambique.

A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou hoje que o aumento da produção de carvão na mina de Moatize reforça a convicção de que esta matéria-prima é o principal motor do crescimento económico de Moçambique.

“Os últimos números da produção reforçam a nossa visão, segundo a qual o carvão é o principal motor do crescimento da economia de Moçambique”, escrevem os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Numa análise à produção do carvão em Moçambique, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas dizem que “a produção acumulada até ao terceiro trimestre em Moatize mostra um crescimento de 38,8% face aos primeiros nove meses de 2016 e uma subida de 5,8% face ao terceiro trimestre do ano passado, e sinaliza que o forte crescimento nas exportações de carvão na primeira metade de 2017 continuou até setembro”.

A 19 de outubro, a mineira brasileira Vale anunciou que a produção de carvão em Moçambique atingiu o recorde trimestral de 3,2 milhões de toneladas no terceiro trimestre do ano e que as suas operações de logística em Moçambique atingiram um recorde de volume transportado, alcançando 3,5 milhões de toneladas no terceiro trimestre, resultado 15% acima dos três meses anteriores.

“Moatize é tecnicamente capaz de produzir 22 milhões de toneladas por ano, o que marcaria um significativo aumento face às 12 milhões que a Vale espera produzir em 2017”, escrevem os analistas da Economist, alertando, no entanto, para as dúvidas sobre a obtenção desse valor.

“Apesar de duvidarmos que a produção anual de 22 milhões de toneladas seja alcançada a médio prazo, esperamos um crescimento considerável nos próximos anos, o que significa que haverá um aumento substancial das receitas das exportações num país que enfrenta dificuldades económicas”, consideram.

A capacidade de produção, ainda assim, enfrenta dificuldades por parte dos investidores, que hesitam em avançar para novos projetos a médio prazo.

“Os mineiros prospetivos estão constrangidos por dificuldades de transporte da província de Tete para a costa e por preços mais baixos a médio prazo, que deverão descer de 82 dólares por tonelada este ano para 70 dólares por tonelada entre 2018 e 2020”, diz a EIU.

Os investidores “também deverão ser condicionados por empreendimentos mediáticos que falharam”, como a aposta da Rio Tinto, que comprou ativos por 3,7 mil milhões de dólares em 2011 e acabou por vendê-los por 50 milhões, e enfrenta agora um processo judicial por ter “alegadamente enganado os acionistas neste negócio desastroso em Moçambique”.

Fonte: Lusa

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