Luisa_diogo_mocambique

A ex-primeira-ministra de Moçambique, Luísa Diogo, defendeu que os ministros das Finanças nunca deveriam dizer “não vamos pagar as nossas dívidas”, mas apenas “não podemos pagá-las”, noticiou hoje a agência de informação moçambicana AIM.

Falando na terça-feira em Maputo numa conferência sobre “Como fazer negócios em tempos de recessão”, Luísa Diogo disse que não seria bom um ministro dizer aos credores “não vamos pagar”, só porque o ministro discorda da dívida.

Seria muito melhor assumir a atitude objetiva de dizer “não podemos pagar”, prosseguiu, sublinhando que foi precisamente esta a postura adotada pelo atual ministro das Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, em relação às dívidas ilícitas contraídas pelo anterior Governo, liderado pelo Presidente Armando Guebuza.

Em 2013 e 2014, o Governo Guebuza emitiu garantias ilegais para empréstimos de mais de dois mil milhões de dólares concedidos por bancos europeus (Credit Suisse e VTB, da Rússia) a três empresas moçambicanas da área da segurança, que estão agora praticamente na falência e sem a menor hipótese de pagar tais empréstimos.

Essas garantias aumentaram em 20% a dívida externa de Moçambique, empurrando-a para níveis insustentáveis.

Em outubro passado, numa reunião em Londres, Maleiane disse aos credores que era impossível ao Governo pagar essas dívidas e instou-os a renegociá-las.

A ex-chefe do executivo aprovou esta atitude, mas esperando que o Governo tenha uma estratégia quanto ao que fazer a seguir.

“Se não tiver uma estratégia, é melhor elaborar uma o mais rapidamente possível. Tem que dizer como as coisas estão — porque as causas da dívida são uma coisa, e as contas são outra”.

Quando o Governo diz “não podemos pagar”, deve estar preparado “para se sentar com os credores e ver o que vai acontecer agora”, sustentou, acrescentando que os credores não são todos iguais — há os credores habituais de Moçambique (Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e alguns parceiros bilaterais como França e Japão), e com esses “é preciso especial cuidado”.

Outros credores, contudo, deverão ser tratados de forma diferente — uma forma educada de dizer que os credores no caso das dívidas ilícitas não podem esperar ter o seu dinheiro de volta em breve.

Luísa Diogo disse ainda acreditar que eventualmente o Governo moçambicano terá de se sentar com atores fundamentais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, para encontrar “uma posição definitiva em relação à dívida do país”.

Fonte: Lusa

Anúncios