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A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou hoje que a redução do financiamento ao orçamento de Moçambique por parte do Banco Mundial “ameaça, paradoxalmente, piorar o desempenho do país nos vários indicadores” que compõem a avaliação anual desta instituição.

“Tal como muitos outros doadores, o Banco Mundial suspendeu o apoio ao orçamento em maio de 2016, no seguimento das revelações sobre dívida escondida e há poucas perspetivas de recomeço da ajuda a curto prazo”, escrevem os peritos da unidade de análise da revista britânica ‘The Economist’.

Numa análise à descida em 0,3 pontos da avaliação que o Banco faz a Moçambique no âmbito do Country and Policy Institutional Assessment (CPIA), e a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que “paradoxalmente, isto ameaça piorar ainda mais o desempenho de Moçambique nos vários indicadores do CPIA”.

A explicação para a degradação previsível dos indicadores é que “era a assistência técnica fornecida pelos doadores orçamentais que apoiava a capacidade institucional e as boas políticas anteriores a 2013”, ano a partir do qual os indicadores começaram a piorar.

Os analistas da Economist alertam que a ajuda internacional deve ainda demorar a chegar porque “o Governo ainda não cumpriu os requisitos dos doadores relativamente à transparência total sobre a dívida suspeita”, algo encarado como essencial por instituições como o Fundo Monetário Internacional ou o G14, um grupo de catorze países que tem prestado assistência técnica e financeira a Moçambique.

O Banco Mundial piorou na semana passada a avaliação institucional que faz anualmente sobre as políticas económicas de Moçambique relativas a 2016, numa análise onde a gestão da dívida pública tem a nota mais baixa.

De acordo com a avaliação, Moçambique desceu de 3,5 pontos para 3,2 pontos, ainda assim 0,1 pontos acima da média da África subsaariana, apesar da degradação no total dos 16 indicadores que a CPIA relativa a 2016.

Esta avaliação institucional do país e das políticas é feita anualmente pelo Banco Mundial e recorre a quatro grandes linhas de avaliação (gestão económica, políticas estruturais, políticas para a inclusão social e equidade, e gestão do setor público e instituições).

“A última avaliação do Banco Mundial é um indicador alarmante da magnitude da deterioração da capacidade institucional e da correção das políticas em Moçambique”, escrevem os analistas, acrescentando que a pontuação moçambicana (3,2 pontos) “só é comparável à do Sudão do Sul, mergulhado numa guerra civil, e pior que em qualquer outro país africano”.

Fonte: Lusa

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