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– Vista da cidade de Maputo/Foto EGMatos

O Banco de Moçambique cedeu a sua quota na Sociedade Notícias, que gere o jornal Notícias, o principal diário moçambicano, ao Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE), terminando uma ligação que remonta ao tempo colonial.

Segundo noticia hoje a comunicação social moçambicana, a saída do Banco de Moçambique da Sociedade Notícias resulta de uma exigência do atual governador do banco central, Rogério Zandamela.

Zandamela, um tecnocrata do Fundo Monetário Internacional (FMI) que assumiu o Banco de Moçambique em setembro de 2016, defende que o banco central deve focar-se na sua vocação principal, que é a regulação do sistema financeiro nacional, e não na gestão de empresas.

O Banco de Moçambique detinha 55% da Sociedade Notícias e as restantes quotas são detidas pelas empresas públicas Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e Petróleos de Moçambique.

A saída do Banco de Moçambique da Sociedade Notícias era uma exigência antiga dos gestores de órgãos de comunicação privados do país, que entendiam que essa ligação gerava uma situação de concorrência desleal, uma vez que o regulador é uma entidade pública, que recebe recursos do Estado.

A presença do Banco de Moçambique na Sociedade Notícias é uma circunstância herdada do tempo colonial, uma vez que este grupo era detido pelo Banco Nacional Ultramarino, que exercia as funções do Banco de Portugal na então colónia de Moçambique.

Com a independência de Moçambique em 1975, os ativos do Banco Nacional Ultramarino foram incorporados no Banco de Moçambique.

Além do jornal Notícias, a Sociedade Notícias detém ainda os títulos Desafio, um jornal desportivo, e o Domingo, o semanário mais antigo de Moçambique.

Fonte: Lusa

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