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A consultora Palomar considerou hoje que o relatório da Kroll sobre a dívida de Moçambique “continua a conter incorrecções” e lamentou que os elementos disponibilizados não tenham sido levados em conta na segunda versão do documento.

“Congratulamo-nos com a admissão da Kroll de que não entrevistou ninguém da Palomar antes do relatório inicial, mas estamos desapontados que a atualização e o relatório, entretanto republicado, ainda contenha incorreções materiais no que diz respeito à Palomar”, disse um porta-voz da consultora à Lusa.

A segunda versão do relatório, divulgada esta semana pela Procuradoria-Geral da República de Moçambique, explicita alguma das críticas de que a auditoria foi alvo, quando foi apresentada no final de junho.

“Se a Kroll tivesse concordado em encontrar-se com a Palomar, ou tivesse levado em consideração os documentos que a Palomar lhe disponibilizou, estas incorreções materiais podiam ter sido evitadas, mas em vez disso a Kroll publicou informação que sabe que é incorreta ou incompleta”, diz a Palomar, vincando que “a Kroll ignorou a documentação disponibilizada pela Palomar”, na qual a posição desta era “clara”.

Nas declarações enviadas à Lusa, a Palomar pormenoriza que entregou à Kroll os documentos legais dos contratos com o Ministério das Finanças e com a Proindicus, “que a auditoria ignorou”, e diz que também entregou um documento, “com data de 4 de dezembro de 2014, no qual se dá por terminada a consultoria à Proindicus, que só é referido numa nota de rodapé”.

Por outro lado, conclui a Palomar, “o relatório da auditoria não torna claro que nenhuma verba foi ou será paga à Palomar referente a este contrato, entretanto terminado”.

A Palomar foi uma das entidades que criticou no mês passado a Kroll por o relatório publicado a 23 de junho conter incorreções e dados errados, mas não foi a única: os bancos VTB e Credit Suisse também consideraram que o relatório contém dados errados e incompletos.

Durante mais de um mês, a Kroll não respondeu a qualquer das críticas que lhe era apontada no relatório, tendo apresentado esta semana uma nova versão da auditoria, na qual responde a algumas das críticas feitas por outras consultoras envolvidas nos empréstimos escondidos à ProIndicus e à Mozambique Asset Management (MAM).

“Após a publicação pela Procurador Geral da República do Resumo Executivo, datado de 23 de junho de 2017, a Abu Dhabi Mar e Privinvest e a Palomar Capital Advisors Ltd / Palomar Consultants LLC (conjuntamente a “Palomar”) escreveram à Kroll (através de seus respetivos advogados) relativamente ao conteúdo de determinadas partes do Resumo Executivo”, lê-se na nova versão do documento.

A realização e divulgação de uma auditoria externa e independente aos empréstimos não divulgados, no valor de 1,4 mil milhões de dólares, era uma das exigências dos doadores internacionais para retomarem o envolvimento financeiro com Moçambique, no seguimento da crise da dívida que mergulhou Moçambique numa crise cambial e económica.

As alterações feitas pela Kroll ao documento são pontuais e servem essencialmente para acomodar as críticas feitas pela Privinvest e pela Palomar, nomeadamente de falta de informação sobre o papel que as duas entidades tiveram nos empréstimos contraídos pela Proindicus e pela MAM.

No que diz respeito à Palomar, que se queixou de nunca ter sido contactada pela Kroll na preparação do relatório, a auditoria explicita agora que “a Kroll também pediu que a ProIndicus solicitasse documentação relevante da Palomar, com base na relação contratual entre as partes”.

Fica assim claro que a Kroll encarregou a Proindicus de solicitar informações à Palomar, depreendendo-se que a Proindicus não contactou a consultora, como foi pedido pela Kroll, e por isso a Palomar não forneceu informações adicionais.

Quando entregou o relatório, em junho, a consultora Kroll queixou-se de falta de informação para averiguar o destino de 2 mil milhões de dólares em dívidas ocultas contraídas por três empresas públicas de Moçambique, havendo discrepâncias de centenas de milhões de dólares em aberto.

A PGR citou o sumário da Kroll para anunciar que, mesmo após o trabalho de auditoria, “lacunas permanecem no entendimento sobre como exatamente os 2.000 milhões USD (dólares americanos) foram gastos” depois de emprestados pelo Credit Suisse à Ematum (850 milhões USD) e Proindicus (622 milhões USD) e pelo banco VTB à MAM (535 milhões USD), de 2013 a 2014.

Fonte: Lusa

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