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O Grupo Moçambicano da Dívida (GMD) defendeu hoje que o país precisa de recuperar rapidamente a confiança da comunidade internacional para voltar à rota de desenvolvimento económico e social dos últimos anos.

Sem que recuperemos o mais breve possível a confiança dos parceiros [internacionais], há de ser muito difícil continuarmos a trilhar o caminho que o país trilhou nos últimos anos”, disse, em conferência de imprensa, Humberto Zaqueu, economista e oficial de programas do GMD.

Para aquele responsável, a escalada da dívida pública de Moçambique, agudizada por empréstimos avalizados secretamente pelo Governo, fez o país regredir em relação aos progressos que alcançou nos últimos anos.

“O país foi um exemplo durante pouco mais de uma década em termos de crescimento económico e desenvolvimento socioeconómico, mas agora estamos a regredir por motivos tão supérfluos quanto estes [de dívidas ocultas]”, frisou.

Caso não se consiga uma solução para o actual nível de dívida, prosseguiu Humberto Zaqueu, Moçambique terá os seus encargos a dispararem para níveis mais acentuados, tendo em conta que os títulos das dívidas escondidas estão nas mãos de “fundos abutres”.

“Os fundos abutres têm o seu preço, o seu modelo de negócios é baseado em multas e custas judiciais”, sublinhou o oficial de programas do GMD.

Humberto Zaqueu assinalou que a espiral da dívida pública de Moçambique pode hipotecar os recursos do Estado moçambicano e o futuro das gerações vindouras.

Moçambique viu a sua dívida ultrapassar 11 mil milhões de dólares após a descoberta, em abril de 2016, de dívidas secretamente avalizadas pelo anterior Governo moçambicano, entre 2013 e 2014.

A descoberta das dívidas levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os doadores a suspenderem a ajuda ao país, condicionando o reatamento do apoio à realização de uma auditoria internacional à dívida pública.

No passado dia 24, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique divulgou o sumário do relatório da auditoria às dívidas ocultas, assinalando que a mesma deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos pelas três empresas estatais entre 2013 e 2014.

“Lacunas permanecem no entendimento sobre como exatamente os 2.000 milhões USD foram gastos, apesar dos esforços consideráveis” para esclarecer o assunto, refere a PGR em comunicado sobre a investigação feita pela consultora internacional Kroll.

Fonte: Lusa

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