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Forças de Defesa e Segurança numa base tomada a Renamo

O Presidente moçambicano anunciou hoje a retirada, até ao final de segunda-feira, das Forças de Defesa e Segurança de nove posições que ocupavam no âmbito dos confrontos com o braço armado da Renamo, principal partido da oposição.

“Como forma de continuar a manter um ambiente de confiança mútua entre as duas partes [Governo e Renamo], iremos, mais uma vez, instruir a retirada das Forças de Defesa e Segurança de mais posições até ao final do dia de amanhã [segunda-feira]”, disse Filipe Nyusi, numa declaração à imprensa, na Praça dos Heróis em Maputo, por ocasião do dia da independência nacional.

O chefe de Estado moçambicano adiantou que as Forças de Defesa e Segurança vão retirar-se de nove posições no centro do país, em que se tinham instalado no contexto dos confrontos que travaram com o braço armado da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) entre 2015 e finais de 2016.

“Todas as ações [de implementação da trégua nos confrontos] são confirmadas pela equipa conjunta de monitoria e verificação”, acrescentou Filipe Nyusi.

Nyussi assinalou que as comissões do Governo e da Renamo encarregues de negociar as condições para um acordo de paz definitivo no país estão empenhadas na busca de soluções compatíveis com a realidade moçambicana e favoráveis ao investimento estrangeiro.

“O diálogo com a Renamo continua através das comissões de descentralização e dos assuntos militares”, sublinhou o chefe de Estado moçambicano.

Filipe Nyusi adiantou que as duas partes estão a preparar propostas dos instrumentos legais relativos à descentralização administrativa, depois de ter sido acordada a trégua e a agenda entre os grupos de trabalho que negoceiam a paz definitiva.

“A cultura de paz mantém-se como a premissa para a consolidação da nação moçambicana e garantia do seu desenvolvimento”, salientou o chefe de Estado moçambicano.

Moçambique assiste, desde o início de maio, a uma trégua por tempo indeterminado, na sequência de contactos entre o Presidente moçambicano e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

Paralelamente à trégua em vigor, o Governo e a Renamo estão em negociações em torno da descentralização do Estado, despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e desarmamento do braço militar do principal partido da oposição.

Entre 2015 e dezembro do ano passado, o país voltou a ser palco de confrontos na sequência da recusa do principal partido da oposição em aceitar a derrota nas eleições gerais de 2014.

A vaga de violência incluiu ataques a alvos civis que o Governo atribuiu à Renamo e assassínios políticos de membros do principal partido da oposição e da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

Fonte: Lusa

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