Mocambique_turismo_vida_barcos

Incentivos para actividades extractivistas, tanto agrícolas como minerais, têm sido uma das principais estratégias dos governos ao redor do mundo para o crescimento econômico. Nesse sentido, os fatos ocorridos em Moçambique na semana passada levam a crer que o Governo deste país adopta a política de exploração de recursos naturais como o principal caminho para a retomada do crescimento e da confiança entre os investidores externos, uma vez que o país é abundante em uma série de recursos minerais.

Com vistas a aumentar a capacidade de escoamento da mina de carvão de Moatize – controlada pela empresa brasileira, Vale –, a empresa moçambicana Thai Moçambique Logística (TML) anunciou, na semana passada, o consórcio vencedor para a construção de uma ferrovia que conectará a mina de Moatize com o porto de Macuse. O consórcio foi ganho pela empresa portuguesa Mota-Engil e pela empresa chinesa China National Complete Engineering Corporation (CNCEC).

Analistas afirmam que a ferrovia de Sena, que conecta a mina à cidade portuária de Beira, não terá capacidade para suportar o escoamento previsto com a intensificação da extração de carvão de Moatize. Previsto para iniciar as obras em 2018, o orçamento estimado para a construção da estrada de ferro é de 1,4 bilhão de dólares.

Concomitantemente, a mineradora britânica Gemfields arrebatou na semana passada a exploração de rubis no distrito de Montepuez, no norte de Moçambique, no valor de 58 milhões de dólares, em um leilão realizado em Singapura. Para a companhia, uma das principais do mundo no segmento, é o valor recorde no que diz respeito à extração desse tipo de pedra. Este foi o oitavo leilão, desde 2014, referente à exploração de rubis no distrito de Montepuez, somando mais de 200 milhões de dólares em contratos de venda selados. A empresa afirma que os royalties serão pagos ao Governo moçambicano.

No entanto, economias predominantemente extrativistas têm enfrentado dificuldades em encontrar caminhos para a industrialização e aumentos da produtividade. A agenda política, muitas vezes orientadas aos interesses de grupos de poder historicamente consolidados desde os períodos da colonização, carece de políticas públicas que incentivem atividades econômicas paralelas, de uso intensivo de capital e de mão de obra qualificada. Nesse sentido, um atraso na diversificação das economias subsaarianas e, especificamente, moçambicana, pode implicar, no longo prazo, em um gradativo aumento da desigualdade social em nível global.

Por Pedro Frizo, in CeiriNewspaper

Anúncios