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A agência de notação financeira Moody’s considerou hoje que a assinatura da Decisão Final de Investimento (DFI) da petrolífera italiana ENI em Moçambique é positiva do ponto de vista da análise da qualidade do crédito soberano.

“Apesar de esperarmos que o crescimento económico já recuperar gradualmente ao longo dos próximos três a quatro anos, aproximando-se das médias históricas, o começo da produção e exportações do projeto do Coral Sul, bem como de outros projetos que começarão a produzir, vai alimentar um aumento substancial do crescimento”, diz a Moody’s.

Num ‘comentário a um acontecimento relevante’, que não constitui uma ação de ‘rating’ – a avaliação do país continua abaixo da recomendação de investimento, ou ‘lixo’, como é geralmente conhecido -, a Moody’s aponta que “o projeto de 7 mil milhões de dólares [6,2 mil milhões de euros], cuja produção deverá começar em 2022, é positivo do ponto de vista do crédito porque beneficia a economia de Moçambique”.

Entre os principais benefícios, a Moody’s sublinha “o aumento das receitas do Governo e das exportações, e assim das reservas em moeda estrangeira, mitigando duas áreas fulcrais da fraqueza da qualidade do crédito”.

A assinatura do acordo, no entanto, “não vai aliviar o Governo dos problemas de curto prazo em servir a dívida, mas confirma o forte potencial do país na área do gás natural liquefeito”.

Nos últimos anos, “o crescimento de Moçambique tem estado deprimido por causa do preço baixo das matérias-primas e de uma seca regional, bem como de constrangimentos orçamentais, mas a decisão de investimento do consórcio neste clima mostra que o Governo considerou dar proteção suficiente aos investidores para que a DFI ocorresse”.

Com o início da produção em 2022, as receitas do Governo vão aumentar, “e esta melhoria na receita fiscal vai fornecer um apoio considerável na capacidade do Executivo servir a dívida”.

A 01 de junho, a Eni e o Presidente da República de Moçambique realizaram uma cerimónia para assinalar o início oficial do projeto de extração de gás natural líquido.

O líder da Eni apontou o projeto Coral Sul como a maior decisão final de investimento do setor dos últimos três anos e que vai dar lugar à primeira plataforma de produção de gás natural líquido (LNG, sigla em inglês) de África.

Tudo isto num projeto escrutinado por 15 parceiros de financiamento, pela petrolífera BP, que vai comprar toda a produção por 20 anos, e pela norte-americana Exxon que vai entrar no projeto.

Na base está uma área de exploração em que foram feitas as descobertas de gás natural mais importante do mundo nos últimos 15 anos, concluiu.

A Eni East Africa (EEA) detém uma participação de 70% na Área 4, enquanto a Galp, a ENH e a Kogas detêm 10% cada.

Uma vez concluída uma transação já acordada entre a EEA e a Exxon Mobil, os interesses participativos a Eni e a Exxon Mobil devem ficar com 25% cada, cabendo 20% à CNPC, enquanto a Galp, a ENH e a Kogas continuarão a deter 10% cada.

A norte-americana Anadarko Petroleum também planeia um investimento significativo na Bacia do Rovuma com um projeto orçamentado em 15 mil milhões de dólares, mas cuja decisão final de investimento ainda não foi anunciada.

Fonte: Lusa

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