O analista da Standard & Poor’s que segue Moçambique disse hoje que a instabilidade política no Qatar pode ter um efeito positivo no país lusófono porque mostra a necessidade de diversificar as fontes de produção de gás.

“Do ponto de vista da análise do crédito de Moçambique, a situação no Qatar é positiva porque é como um ‘cartão amarelo’ para o Qatar e motiva os compradores de gás a olharem para opções de diversificação, especialmente a Índia, que está a crescer muito depressa e tem muita procura e pouca oferta”, disse Ravi Bhathia.

Em declarações à Lusa, o analista desta agência de notação financeira disse também que a assinatura da Decisão Final de Investimento por parte da italiana ENI “vai ajudar na perspetiva do ‘rating’ porque comprova um cenário em que Moçambique terá um significativo fluxo de verbas a entrar”.

Uma questão diferente, disse, é saber se o Governo vai conseguir capitalizar o megaprojeto da ENI devido à inexperiência na negociação de grandes contratos internacionais e à falta de capacidade institucional.

“O projeto da ENI é uma boa notícia, mas o país está numa fase de crescimento baixo, com a inflação alta e o metical agora a valorizar-se, mas a fase de crescimento rápido abrandou, e isso pode até ser positivo porque o crescimento estava sobreaquecido e, sendo muito pobre, com capacidade institucional limitada e um PIB baixo, e vindo de um quadro ideológico socialista, teve dificuldades em lidar com transações comerciais difíceis e complicadas”, considerou.

“Moçambique não lidou bem com esta fase exuberante de crescimento e interesse internacional” motivado, primeiro pelo carvão, e depois pelo gás, concluiu o analista da S&P.

No dia 05 de junho, a Arábia Saudita, seguida dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito, anunciou o corte de relações com o Qatar, acusando o país vizinho de “apoiar o terrorismo” e de manter relações próximas com o Irão.

O corte de relações diplomáticas foi complementado com o encerramento de fronteiras e fortes restrições ao tráfego aéreo, e para já todas as partes recusam qualquer intervenção militar.

O Qatar é o maior produtor mundial de gás natural e será, na próxima década, um dos principais concorrentes de Moçambique na produção desta matéria-prima se os projetos em curso ou previstos para o país africano forem em frente.

Fonte: Lusa

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