Alex_Vines_Chatham_House

O director do Programa África do Instituto Real de Assuntos Internacionais do Reino Unido considerou em entrevista à Lusa que o cargo de Procurador-Geral da República em Moçambique é o trabalho mais difícil do país.

“O trabalho mais difícil em Moçambique não é o cargo de Presidente da República, mas sim o da Procuradora-Geral da República, que tem de analisar e pensar o que fazer sobre o relatório da dívida” elaborado pela consultora Kroll.

Entrevistado pela Lusa em Londres, na sede da Chatham House, Alex Vines considerou que “a divulgação de um sumário executivo da auditoria será feita rapidamente”, mas acrescentou que a divulgação do relatório total “será um processo demorado e poderá até só estar disponível depois do congresso da Frelimo”, agendado para setembro.

A realização deste congresso, aliás, é um dos temas que tem dominado a política interna moçambicana, disse Alex Vines, salientando que “a Frelimo está entre a espada e a parede, confrontada com a situação difícil de saber quem estava à volta das dívidas numa altura em que o atual Presidente era o ministro da Defesa e o Presidente da República na altura, Armando Guebuza, era o líder do partido”.

Os riscos para o partido, disse, “são elevados devido à importância das pessoas que provavelmente tinham conhecimento dos empréstimos da Mozambique Asset Management e da Proindicus”.

Estas duas empresas públicas contraíram empréstimos dos bancos VTB e Credit Suisse, com aval do Estado, sem que os montantes tivessem sido inscritos nas contas oficias e nos relatórios enviados aos doadores internacionais.

Questionado sobre se a divulgação de um sumário da auditoria encomendada à Kroll será suficiente para fazer avançar os processos da renegociação da dívida com os credores e a retoma da ajuda financeira internacional, Alex Vines respondeu que não.

“Um sumário não chega, é preciso mais informação; os detentores da dívida vão querer progressos mas também percebem que isso só deverá acontecer depois do congresso da Frelimo”, disse Vines, notando que “toda a gente quer um acordo, mas haverá cálculos detalhados sobre quem teve conhecimento dos empréstimos, quem esteve envolvido, e a Frelimo vai ter de pensar muito cuidadosamente sobre como vai gerir isso”.

Fonte: Lusa

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