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Standard Bank em Maputo/Foto EGMatos

O economista-chefe do Standard Bank em Moçambique considerou hoje à Lusa que os doadores internacionais “querem ajudar o país” e que o importante é recuperar a confiança dos investidores e manter a consolidação orçamental.

“Os doadores internacionais querem ajudar Moçambique e o primeiro elemento é Moçambique conseguir um acordo com o Fundo Monetário Internacional para que o apoio recomece”, disse Fáusio Mussa em entrevista à Lusa.

Para o economista-chefe do Standard Bank em Moçambique, “a ajuda externa depende de um conjunto de fatores”, o primeiro dos quais é a divulgação da auditoria encomendada à consultora internacional Kroll sobre a dívida escondida no valor de 1,4 mil milhões de dólares e a renegociação e reestruturação dessa dívida com os credores.

“O FMI continua a trabalhar com o Governo para chegar a um acordo e em maio tivemos um forte sinal que aumenta a expectativa de alcançar esse acordo ainda este ano”, disse o economista, referindo-se à entrega do relatório da auditoria à Procuradoria-Geral da República.

“Espera-se que seja publicado, e isso vai permitir também aos investidores manter o processo de renegociação e reestruturação da dívida”, disse Fúasio Mussa, sublinhando que “os doadores querem avançar quando tiverem o relatório e isso vai facilitar o processo”.

Questionado sobre se a renegociação dos pagamentos da dívida contraída por empresas públicas – com garantia do Estado sem que nenhuma instituição tivesse sido informada – deve acontecer antes ou depois da divulgação do relatório da Kroll e com que valores, o economista respondeu que isso só deve acontecer depois da divulgação do relatório, mas salientou que “mais do que o montante, o importante é recuperar a confiança dos investidores”.

O país, vincou, “precisa é de um acordo e, havendo acordo com os credores e doadores, a recuperação da economia deve ser liderada pelo setor privado”.

Mesmo reestruturando a dívida, o que deverá implicar menores pagamentos aos credores no curto prazo e um agravamento das condições dos empréstimos a médio e longo prazo, “o Governo deve ter de continuar a cortar a despesa e manter a consolidação orçamental”, sublinhou o economista moçambicano.

Sobre as perspetivas económicas para o país, o Standard Bank mostra-se otimista, antecipando um crescimento económico de 4,1%, uma revisão em alta face aos 3,8% previstos anteriormente.

“A ausência de tensão militar, uma perspetiva de evolução melhor para a agricultura e a expectativa de um aumento substancial na produção de carvão, juntamente com a proximidade de uma decisão final de investimento para o projeto da ENI de gás natural liquefeito, levaram-nos a aumentar as perspetivas de crescimento do PIB para 2017, de 3,8% para 4,1%”, disse Fáusio Mussa.

Fonte: Lusa

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