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Cidade de Maputo, capital de Moçambique/Foto EGMatos

O analista da Woodmackenzie que acompanha a economia de Moçambique considerou hoje que a assinatura do acordo de investimento da ENI mostra que o Governo é capaz de sancionar projetos de grande dimensão e que a crise da dívida não trava os investimentos no país.

“O facto de o projeto Coral Sul andar para a frente mesmo no ambiente atual é um testemunho de que há confiança nos projetos em Moçambique e que as companhias e as instituições financeiras estão dispostas a fazer investimentos nestes projetos”, disse Mansur Mohammed.

Em entrevista à Lusa em Londres, o analista que segue a economia moçambicana vincou que o acordo entre a ENI e o Estado moçambicano mostra também que a crise da dívida não é um travão absoluto ao desenvolvimento destes megaprojetos de exploração de gás e pode abrir o caminho para uma aceleração das decisões das outras companhias.

Questionado sobre se a assinatura pode facilitar novos acordos de outas companhias, Mohammed respondeu: “A assinatura mostra que o Governo tem capacidade para sancionar um projeto deste tamanho e desta intensidade e certamente que as companhias vão olhar para os ensinamentos da ENI, mas precisam de trabalhar no contexto dos seus projetos específicos, com todos os detalhes acertados e o financiamento garantido”.

De uma forma geral, a Decisão Final de Investimento da ENI é “uma notícia positiva e um grande passo para o setor do gás natural liquefeito porque é o primeiro projeto deste género a ir para a frente na África subsaariana e coloca Moçambique como destino mundial no setor do Petróleo & Gás”.

Isso, continuou, “muda a perspetiva de evolução de Moçambique de uma forma positiva” e comprova que a crise da dívida não trava os investimentos de longo prazo nos países.

“A crise da dívida foi levada em consideração, mas as companhias têm uma posição de longo prazo nestes projetos e por isso é a perspetiva de longo prazo que determina se os projetos avançam ou não”, acrescentou o analista, concluindo que um país pode ser instável a curto prazo, mas a 30 anos esse risco está menos premente.

Fonte: Lusa

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