Reinata-Sadimba

– Reinata Sadimba

Reinata Sadimba, a ceramista mais reputada de Moçambique, cedeu à arte e interrompeu o retiro a que se tinha submetido há dois anos, voltando com 30 obras para uma exposição que celebra a condição da mulher contemporânea.

Para a artista de 62 anos, a exposição é um duplo regresso: volta a mostrar as suas obras, mas é também um retorno ao Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM) em Maputo, porque ali, em 1993, realizou a sua primeira individual.

“O CCBM deu o primeiro apoio e, moralmente, aqui é casa, comecei por realizar, aqui, a minha primeira exposição individual”, diz à Lusa Reinata Sadimba.

Desta vez, a exposição inaugurada na passada quarta-feira (7) vai ficar patente até 27 de junho.

A arista afirma que nestes dois anos de retiro, que foram pensados inicialmente para serem definitivos, viram a mulher moçambicana fortalecer o seu papel na sociedade, através de um maior envolvimento na política e na economia.

Essas transformações sociais, explica, estão patentes nas peças de barro, grafite e pó branco, o material que sempre monopolizou o trabalho da artista.

“O material é o mesmo, é o barro, grafite e pó branco, a diferença é a forma: nos anos passados, a participação da mulher na AR era reduzida, o tema da mulher é agora abordado de uma forma positiva”, diz.

De resto, entre 75% e 80% por cento das peças patentes na exposição “Ninerudi”, o mesmo que “Regressei” na língua maconde, falada no norte de Moçambique, concentram-se na situação da mulher.

As peças antes do retiro, continua, são dominadas pela condição de sofrimento, angústia, exclusão e sofrimento a que as mulheres moçambicanas estão votadas.

Depois de abortar a primeira tentativa de encerrar a carreira, agora quer deixar o gosto pela arte fluir e sem prazos. Tem em projeto uma segunda exposição em Moçambique e negoceia uma outra em Lisboa, lá para o final do ano.

Nascida em Cabo Delgado, norte de Moçambique, filha de camponeses, recebeu educação tradicional maconde, que incluía o fabrico de objetos de barro.

Na década de 1970, as peças de Reinata tornam-se conhecidas mundialmente.

Tem uma fase muito produtiva durante o exílio na Tanzânia, de 1980 a 1992 e desde então, tem produzido esculturas, em diferentes fases, em Maputo.

Reinata Sadimba tem trabalhos no Museu Nacional de Arte e o Museu de Etnologia de Lisboa, na Coleção de Arte Moderna da Culturgest e em coleções privadas em todo o mundo.

Fonte: Lusa

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