Gasoduto_mocambique

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a única opção viável para os credores da dívida pública de Moçambique é esperar pelos avanços no setor do gás que permitam ao Governo ter liquidez para cumprir com as obrigações.

Numa análise aos perigos de apostar nas receitas do gás para desenvolver a economia, os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist escrevem que, apesar de considerarem que o Governo está a ser demasiado otimistas na previsão de receitas e no prazo para as explorações de gás entrarem em funcionamento, a única opção para os credores é esperar.

“Os promotores já investiram demasiado nos seus projetos em Moçambique para os continuarem a adiar indefinidamente, portanteo esperamos que as receitas fiscais do Gás Natural Líquido acabem por se materializar, apesar de deverem ser menores e mais tarde do que o Governo espera”, escrevem os peritos da EIU numa nota de análise.

No documento, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas concluem que, para os credores da dívida pública moçambicana, “a única opção viável é esperar” que as receitas surjam e permitam pagar os 1,4 mil milhões de dólares em empréstimos não divulgados e os 727,5 milhões de dólares em títulos de dívida soberana emitidos em abril do ano passado, e que resultaram da reconversão de obrigações da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum).

“Não esperamos que as receitas do gás resolvem os problemas financeiros do país a curto prazo; a paciência dos credores está a esgotar-se, mas eles têm poucas opções a não ser esperar”, escrevem os analistas.

A Decisão Final de Investimento da italiana Eni, anunciada na semana passada numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República de Moçambique e do responsável máxima da petrolífera europeia, é mais um marco num processo iniciado em 2010, quando foi feita no país uma das maiores descobertas de gás da última década.

“Pouco tempo depois, um conjunto de investidores começaram a posicionar-se para ganhar um lugar no mercado emergente do gás e o Governo contraiu empréstimos pesados nos mercados de dívida intenacionais, esperando que as receitas futuras do gás, juntamente com as do carvão, pudessem pagar as dívidas de forma confortável”, lembram os analistas.

“A forte queda dos preços do gás e do carvão em 2014, juntamente com a divulgação de que Moçambique tinha contraído mais dívida estrangeira do que a inicialmente reportada, furou os planos de desenvolvimento das empresas e deixou o Governo a braços com obrigações financeiras que não conseguia pagar”, acrescentam.

“Mesmo tentando apoiar a recuperação da frágil economia e negociar com os credores a reestruturação de um peso da dívida insuportável, o Governo ainda está a apostar na expansão do gás”, concluem os analistas da Economist.

Fonte: Lusa

Anúncios