Beatriz_buchili

Beatriz Buchili, Procuradora-Geral da República de Moçambique/Foto de Ferhat Momade

A embaixada da Suécia em Maputo manifestou hoje confiança na forma como a Procuradoria-Geral da República de Moçambique (PGR) está a tratar dos resultados da auditoria às dívidas ocultas, defendendo a divulgação do documento o mais breve possível.

A embaixada sueca financiou a realização da auditoria exigida por um grupo de parceiros internacionais para retomar os apoios ao Estado moçambicano, depois de há um ano terem sido reveladas dívidas ocultas de 1,4 mil milhões de dólares.

“[O relatório da auditoria à dívida pública] está nas mãos das autoridades, acho que eles é que vão publicar. Temos uma colaboração muito boa com a PGR e temos plena confiança no trabalho deles”, disse aos jornalistas, em Maputo, o conselheiro político e comercial da embaixada da Suécia, Andreas Perez Fransius.

Em relação aos resultados da auditoria, prosseguiu, o sistema de justiça em Moçambique tem de atuar tal como noutros Estados soberanos, tomando as medidas adequadas ao caso.

“São eles [sistema judicial] a tomar as medidas. Seria inoportuno para mim fazer comentários sobre que medidas deveriam tomar, confio neles para levarem a cabo este processo”, realçou o diplomata.

Andreas Peres Fransius defendeu que a PGR deve dar conhecimento aos moçambicanos dos resultados do relatório, logo que terminar a avaliação do documento.

“Este relatório está agora nas mãos da PGR, que está a fazer a sua avaliação para ver se os termos de referência foram cumpridos e, depois, os próximos passos serão dados pela própria Procuradoria, que partilhará esta informação com o público moçambicano”, acrescentou o conselheiro económico e comercial da embaixada da Suécia em Maputo.

A filial britânica da firma de investigação norte-americana Kroll entregou no mês passado à PGR moçambicana os resultados da auditoria às chamadas dívidas ocultas avalizadas pelo anterior Governo moçambicano, entre 2013 e 2015.

A auditoria foi paga pelo Governo sueco e surgiu em resultado de pressões das instituições financeiras internacionais e dos principais doadores do Orçamento do Estado moçambicano, após a revelação em abril do ano passado de dívidas de 1,4 mil milhões de dólares contraídos por empresas públicas ligadas à segurança marítima com o aval do Governo na altura chefiado pelo Presidente da República Armando Guebuza.

A descoberta das dívidas levou os principais doadores e as instituições financeiras internacionais a suspenderem a sua ajuda ao país, condicionando o reatamento dos apoios à auditoria.

Fonte: Lusa

Anúncios