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Mina de carvão em Moatize, Tete, Centro de Moçambique.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Moçambique cresça 4,5% ou mais este ano, graças ao aumento do preço mundial do carvão.

A recuperação da economia moçambicana ainda é “insipiente”, referiu, mas em 2017 “vai haver crescimento” de pelo menos 4,5%, de acordo com as previsões da instituição, que está otimista – em 2016 o crescimento foi de 3,3%, em 2015 foi de 6,6%.

“Vamos esperar por mais dados, mas o que nos faz pensar nisso é a exportação de carvão”, referiu Ari Aisen, representante do FMI em Maputo, durante uma conferência realizada na quarta-feira na capital moçambicana.

A tendência foi referida numa outra análise publicada em abril, que realçava o facto de Moçambique ter reservas estimadas de carvão acima de 20 mil milhões de toneladas, levando o Governo a querer fazer do país um dos dez maiores produtores de carvão do mundo.

A análise da Economist Intelligence Unit (EIU), da revista britânica The Economist, dirigida a investidores, sublinhou que o preço internacional do carvão recuperou fortemente desde mínimos de dez anos e que o empenho das empresas extrativas deve fazer com que o produto ultrapasse este ano o alumínio como a maior fonte de receitas de exportação em Moçambique.

No que respeita a outros indicadores, o FMI notou que a inflação ainda está acima de 20%, mas pode terminar o ano abaixo de 15%.

Ari Aisen apontou ainda como um sinal positivo a recuperação das reservas de moeda estrangeira.

Moçambique passa por uma crise económica e financeira, agravada pela descoberta de dívidas ocultas do Estado no valor de 1,4 mil milhões de dólares, o que fez com que o FMI e doadores internacionais suspendessem os apoios ao país no último ano.

As previsões do FMI apresentadas na quarta-feira são moderadas no conjunto dos números anunciados por diversas entidades e figuras públicas no final do primeiro trimestre.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, aposta numa taxa de inflação de 15% e num crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,5% em 2017.

Helena Afonso, analista de assuntos económicos com o pelouro de África nas Nações Unidas, disse à Lusa, em abril, que a previsão de crescimento da economia de Moçambique foi revista em baixa de 5,5% para cerca de 4%.

O Banco de Moçambique disse na última semana prever que a inflação fique entre 12,5% e 14, 5% em 2017 e que o PIB cresça entre 3% e 4%.

Já em fevereiro, a EIU tinha previsto que a economia de Moçambique cresça 4,2% em 2017, depois de no ano passado ter registado o valor mais baixo dos últimos quinze anos (3,3%).

Sobre a inflação, que chegou ao recorde de 27% em novembro do ano passado, a expectativa dos analistas da Economist é de que a taxa vá descendo, mas referem que este ano deverá ficar ainda acima de 23%.

Fonte: Lusa

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