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Militantes do partido Frelimo em Maputo

Membros veteranos da Frelimo defenderam no sábado a necessidade de uma “purificação das fileiras” do partido no poder em Moçambique, admitindo a existência de membros que veem as eleições como forma de obter um cargo e benefícios.

“Há sinais destas práticas e estamos decididos a fazer a purificação das nossas fileiras, sejam quem for” as pessoas em causa, afirmou Eduardo Mulémbwè, antigo presidente do parlamento moçambicano.

Aquele militante falava aos jornalistas no fim da IV Sessão Extraordinária do Comité Central da Frelimo, que decorreu à porta fechada na sexta-feira e sábado, em Maputo, para preparar o 11.º Congresso, marcado para setembro.

As “condutas desviantes” devem ser combatidas, num processo que dê prioridade aos valores e ideias do partido, referiu, acrescentando que é necessário saber a dimensão do problema.

Tomás Salomão, outro membro histórico do partido, antigo secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), disse que há mudanças que devem ser feitas no partido.

“Nós estamos agora a caminhar para um congresso e eu penso que estas coisas serão clarificadas”, afirmou Tomás Salomão.

“Este partido existe porque existe um povo e é para este povo que o partido deve trabalhar”, concluiu Tomás Salomão, para quem a reunião do Comité Central serviu para o partido revitalizar esta ideia.

As críticas à situação interna foram feitas primeiro por Fernando Faustino, secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), filiada à Frelimo, logo na sessão de abertura do encontro do comité central, aberta à comunicação social.

Faustino referiu na altura que o partido tem muitos quadros estrategas e disponíveis para o trabalho, mas alguns estão “distantes do campo de batalha politica devido à fragilidade do sistema de eleições internas, onde os mais espertos assaltam as fileiras”.

O líder da Frelimo e Presidente da República, Filipe Nyusi, discursou no encerramento da reunião, já durante a noite de sábado, em Maputo, e perante os jornalistas saudou os contributos e enalteceu “o espírito de unidade e coesão que prevaleceu no final dos debates”.

Numa altura em que a Renamo declarou uma trégua ilimitada para negociação de um acordo de paz com o Governo, Nyusi referiu que os militantes da Frelimo devem posicionar-se como “mensageiros da paz, esperança e de reconciliação”.

O 11.º congresso da Frelimo vai decorrer de 26 de setembro a 01 de outubro de 2017 na Matola, arredores de Maputo, e vai definir quem vai liderar o partido no próximo ciclo eleitoral – eleições autárquicas a 10 de outubro de 2018 e eleições gerais no ano seguinte.

Fonte: Lusa

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