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A consultora Kroll deve entregar hoje à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique o relatório da auditoria às empresas públicas com dívidas escondidas.

Contactada pela Lusa na quinta-feira, fonte da PGR escusou-se a adiantar que tipo de comunicação será feita hoje, após três adiamentos desde que a consultora foi escolhida pela procuradoria para a investigação, em novembro de 2016.

Na altura, esperava-se que a auditoria estivesse pronta em cerca de três meses, mas já passaram seis.

Por altura do último adiamento, a 27 de abril, a PGR anunciou que decorriam ainda “os trabalhos de reverificação e da competente tradução, para a língua oficial portuguesa”, razão pela qual a Kroll tinha remetido a entrega para 12 de maio.

No entanto, fonte da consultora foi citada a 03 de maio pelo Wall Street Journal a justificar o adiamento com a necessidade de precisar de mais tempo para analisar “documentos pertinentes” que ainda estavam a receber, para perceber onde foi parar o dinheiro.

Em causa está o destino de cerca de 2,2 mil milhões de dólares de dívidas contraídas entre 2013 e 2014 por três empresas estatais junto de bancos estrangeiros “com garantias do Governo que não foram aprovadas no parlamento nem inscritas nas contas públicas”, conforme anunciou a PGR em novembro de 2016.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e um grupo de 14 doadores internacionais congelaram os apoios ao orçamento de Estado e exigiram uma auditoria como condição prévia para retomar os apoios.

O Estado assumiu a incapacidade para pagar as prestações aos credores e o país entrou em ‘default’, caindo na classificação das agências de notação financeira.

O país fechou 2016 com uma inflação de 25%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano, e o metical terminou o ano entre as dez moedas do mundo que mais se desvalorizaram, ao perder cerca de um terço do seu valor – tendência entretanto invertida.

O representante permanente do FMI em Moçambique, Ari Aisen, disse na quinta-feira à Lusa que os resultados da auditoria devem ser recebidos com “serenidade”.

Para Ari Aisen, o Governo moçambicano já mostrou que está preocupado em recuperar a confiança dos parceiros internacionais e, nesta altura, o mais importante é garantir que o processo avance.

“Estamos caminhando numa direção correta. Obviamente que ainda temos algum trabalho a fazer e esperamos que nos próximos meses possamos avançar com este processo que já iniciamos em conjunto com o Governo”, afirmou.

Fonte: Lusa

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