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Afonso Dlhakama, líder da Renamo [Foto: EPA]

O líder da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, anunciou hoje em Maputo a prorrogação da trégua militar, agora por tempo indeterminado.

A decisão anunciada, através de uma teleconferência a partir da sua base em Gorongosa, para os jornalistas que estiveram na sede nacional do seu partido em Maputo, surge na sequência dos últimos entendimentos entre o líder da oposição e o Presidente da República, Filipe Nyusi, nos frequentes contatos telefónicos entre as partes, informa a agência moçambicana AIM.

“Estou a anunciar a prorrogação da trégua, mas desta vez é diferente porque hoje anuncio a trégua sem prazo. A trégua sem prazo é diferente das anteriores porque se antes tinha 60 dias, agora mudei de estratégia”, disse Dhlakama.

A medida, segundo o líder da oposição, é também resposta aos moçambicanos, empresários, até mesmo estrangeiros, que receavam o que viria a acontecer depois de 60 dias, até porque a trégua começou a 27 de Dezembro de 2016, “e agora estamos em Maio de 2017”.

“Era preciso dar esperança ao povo de Moçambique de que a paz está a começar e será definitiva”, disse o líder, acrescentando que se tudo correr bem com uma óptima resposta do governo e do Presidente da República, Filipe Nyusi, a trégua não teria prazo.

A trégua, disse Dhlakama, visa igualmente tranquilizar não apenas os moçambicanos, homens de negócio, mas os intelectuais e os outros investidores estrangeiros, para que Moçambique tenha uma outra imagem da paz e criar todas as condições de investimentos.

Nos contactos telefónicos que os dois dirigentes têm estado a manter com frequência, o último dos quais na tarde de quarta-feira, onde falaram da trégua e outros de interesse, o líder da Renamo disse ter havido entendimento sobre a retirada das forças armadas em todas as posições na Gorongosa, onde há mais de 26 posições.

O líder da oposição debruçou-se sobre as comissões recentemente criadas que vão fazer a monitoria do processo. A primeira comissão (constituída por quatro membros, dois de cada parte) encarregue de questões militares, estará sedeada em Maputo, com a responsabilidade de elaborar detalhes sobre a matéria.

A segunda, construída por oito membros (quatro para cada lado) estará baseada na serra da Gorongosa, na posição de Mazembe, a ser deixada até segunda-feira pelas forças de defesa e segurança, de onde vai monitorar a região e as províncias da região central do país.

Sobre a comissão encarregue de discutir os assuntos relativos a descentralização, Dhlakama disse estar a trabalhar, mas as coisas andam a passo lento e é preciso entender que não se trata de assuntos fáceis, até porque alguns são questões pendentes do Acordo Geral de Paz, assinado em 1992 em Roma.

A expectativa, segundo Dhlakama, é que as comissões produzam até Setembro os relatórios sobre como efectivar as aspirações das partes, porque é seu desejo regressar o mais depressa possível a vida política activa, mas há questões de segurança que têm de ser garantidas depois das experiências registadas no passado.

Desde o primeiro anúncio da trégua militar, em Dezembro de 2016, o país vive uma atmosfera de tranquilidade caracterizada pela liberdade de circulação de pessoas em bens, mesmo nos corredores onde era frequente o registo de emboscadas da dos homens armados da Renamo.

Fonte: Lusa

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