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Camião de transporte de madeira queimado na EN7 por homens da Renamo/Foto Facebook

O Governo de Moçambique e a Renamo vão criar dois centros conjuntos de verificação e controlo da pacificação do país, anunciou hoje o Presidente da República, Filipe Nyusi.

“Vamos criar grupos conjuntos de verificação e controlo para funcionarem até as coisas se estabilizarem”, referiu o chefe de Estado numa declaração aberta aos jornalistas na Presidência da República, em Maputo.

Nyusi falava à margem de um encontro do grupo de trabalho para assuntos militares, que junta Governo e Renamo, no âmbito do diálogo político em curso.

A declaração deixa antever a efectivação das tréguas em vigor desde dezembro entre os dois lados e cujo último prolongamento vai até 04 de maio.

O próprio Filipe Nyusi referiu que não será necessário estar de olho no calendário para ver quando chega o dia – nem os centros hoje anunciados fariam sentido se fosse por tão pouco tempo.

O anúncio dos dois núcleos de monitorização foi feito com várias referências ao diálogo com Afonso Dhlakama, líder da Renamo, e à construção da paz efetiva, sem “desconfianças” entre moçambicanos.

Um centro vai funcionar em Maputo com quatro pessoas: dois elementos da Renamo e outros dois do Governo.

Outro vai ficar instalado na Gorongosa, região de maior movimentação da Resistência Nacional Moçambicana, com oito pessoas: quatro da Renamo e outras tantas do Governo.

Dirigindo-se aos elementos que vão estar nestes postos, Filipe Nyusi referiu que vão ter que “estar atentos a toda a hora” e “intervir”, se for caso disso, para “dar sinal de que não deve haver confusão”.

Seja como for, o desenho detalhado de como as estruturas vão funcionar vai ainda ser feito.

O grupo de trabalho para assuntos militares, criado no âmbito do diálogo político, vai elaborar os termos de referência para o funcionamento destes núcleos de monitorização.

A criação deste tipo de centros de observação constou de anteriores acordos de paz.

Em 1992 chegaram a funcionar sob alçada das Nações Unidas, no âmbito do Acordo Geral de Paz de Moçambique, mas no Acordo de Cessação das Hostilidades Militares de 2014, apesar de estarem previstos, não foram operacionalizados.

Fonte: Lusa

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