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Ahmed Kathrada em foto de arquivo de 15 de dezembro de 2013, durante o funeral de Nelson Mandela/Foto KOPANO TLAPE EFE

O líder veterano da luta antiapartheid Ahmed Kathrada, companheiro de cela de Nelson Mandela no presídio de Robben Island, morreu nesta terça-feira aos 87 anos, segundo anunciou a fundação que leva o seu nome. Kathrada faleceu num hospital de Joanesburgo vítima de complicações após uma cirurgia no cérebro. Estava internado havia quase três semanas. Conhecido como tio Kathy, ele foi uma figura de destaque no final dos anos 1980 durante as negociações entre o ANC e o regime branco que contribuíram para a queda do apartheid no início dos anos 1990 e as primeiras eleições livres no país em 1994.

“A Fundação Ahmed Kathrada anuncia com tristeza a morte do veterano do ANC Ahmed Kathrada, de 87 anos, na manhã de hoje no hospital Donald Gordon em Joanesburgo depois de um breve período de enfermidade”, informou a organização.

Morreu “em paz”, depois de uma cirurgia no cérebro, acrescenta a fundação em nota. Kathrada foi internado no início de março com uma desidratação, mas os médicos localizaram um coágulo no seu cérebro e decidiram operá-lo.

Kathrada fazia parte do primeiro círculo de dirigentes históricos do Congresso Nacional Africano (ANC). Também foi militante do Partido Comunista Sul-africano (SACP). Foi um dos condenados à prisão perpétua nos Julgamentos de Rivonia em 1964, ao lado de Nelson Mandela, Walter Sisulu, Govan Mbeki, Raymond Mhlaba e Elias Motsoaledi. Passou 26 anos preso e foi libertado juntamente com os seus companheiros em 1989, quando o regime segregacionista começava as negociações com a resistência negra para dissolver-se e abrir caminho para a democracia multirracial.

Eleito parlamentar do ANC nas primeiras eleições democráticas, foi assessor do presidente Mandela durante o seu único mandato (1994-1999) e deixou a política em 1999.

Muçulmano de origem indiana, Kathrada envolveu-se em várias campanhas de apoio ao povo palestino e, à frente da fundação que leva o seu nome, realizou numerosos projectos a favor da justiça social e contra o racismo.

Kathrada, casado com a ex-ministra e veterana da luta contra o segregacionismo Barbara Hogan, era uma das personalidades mais respeitadas e activas na vida pública sul-africana.

“É uma grande perda para o ANC, e para o movimento de libertação e África do Sul”, lamenta o director da fundação, Neeshan Balton, “Kathy era uma fonte de inspiração para milhões de pessoas no mundo todo”.

Políticos de todas as vertentes prestaram-lhe homenagens após a divulgação da notícia da sua morte. O presidente sul-africano, Jacob Zuma, ordenou que as bandeiras dos edifícios públicos fiquem a meio mastro até a realização do funeral. O Nobel da Paz e activista contra o apartheid Desmond Tutu elogiou a “modéstia” e a “humildade” que caracterizaram Kathrada, a quem definiu como um líder “da mais alta integridade moral”, e destacou o seu compromisso com a justiça acima das divisões raciais.

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