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Vista aérea da cidade da Beira, centro de Moçambique

A consultora Business Monitor International (BMI) considerou hoje que a economia de Moçambique pode crescer 3% este ano, acelerando face aos 2% que registou no ano passado, mas abaixo da média de 6,5% entre 2010 e 2016.

“A fase inicial dos desenvolvimentos no sector do gás liquefeito natural e uma taxa de câmbio mais flexível serão os principais motores da expansão económica durante os próximos dois anos, que serão muito desafiantes”, comentaram os analistas, numa nota enviada à agência de informação financeira Bloomberg.

Na nota, a BMI, uma unidade de análise económico do grupo da agência de notação financeira Fitch, antecipa ainda um crescimento de 3,5% em 2018 e encara como provável um atraso no desenvolvimento das infraestruturas “por causa do incumprimento financeiro [`default`, no original em inglês] em janeiro”.

A previsão de crescimento de 3% este ano representa uma degradação face às estimativas do início do mês passado, quando a BMI previa uma expansão de 4% no Produto Interno Bruto (PIB), já de si uma revisão em baixa face aos 5% previstos anteriormente.

O executivo de Moçambique prevê uma aceleração de 3,9% em 2016 para 5,5% para este ano, à semelhança das previsões do banco central e da divisão de Análise e Política de Desenvolvimento do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, num relatório publicado já este ano.

As previsões da BMI surgem num contexto de revisão das relações com o Fundo Monetário Internacional e de tentativa de retoma das negociações com os credores da dívida pública.

Num encontro com os jornalistas na semana passada, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, disse que normalizar as relações com os credores e com o FMI continua no topo da prioridade do executivo, salientando que “o principal desafio nas negociações com o FMI é assegurarmos o equilíbrio entre as reformas que nós temos que fazer para a consolidação das políticas públicas, por um lado, mas também asseguramos para que não possamos afetar os recursos para o Programa Quinquenal do Governo”.

No encontro com os jornalistas em Maputo, o líder do Governo acrescentou: “Teremos que implementar reformas ao nível do setor público, empresas públicas, de uma forma que efetivamente desse espaço para que tenhamos recursos para as áreas mais desfavorecidas, nomeadamente educação, saúde, proteção social”.

Sobre a dívida pública, afirmou querer cumprir os compromissos: “Nós queremos honrar com os compromissos que assumimos com os nossos credores, mas também dentro do equilíbrio. Honrar os compromissos sim, mas também, de um lado, deixar espaço para que possamos ter recursos que possam financiar as ações do Programa Quinquenal do Governo”, concluiu Carlos Agostinho do Rosário.

Fonte: Lusa

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