O secretário-geral da Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM-Central Sindical) Alexandre Munguambe defendeu esta sexta-feira em Maputo que o aumento do salário mínimo ocorra duas vezes este ano, como forma de acompanhar a degradação do poder de compra. “Gostaríamos de lembrar que no passado, quando a inflação anual atingisse dois dígitos, o salário mínimo era aumentado duas vezes por ano. Se a situação actual [de inflação elevada] prevalecer, há todas as razões para se retornar a essa prática”, afirmou Munguambe, falando durante uma sessão do Comissão Consultiva do Trabalho (CCT).

As condições de vida dos trabalhadores, prosseguiu o líder da maior central sindical do país, deterioraram-se em 2016, devido à instabilidade político-militar, calamidades naturais, crise financeira, depreciação do metical e dívida externa insustentável. “Estes fatores agravaram o custo de vida para níveis insuportáveis e agravou a pobreza da maioria dos moçambicanos”, acrescentou o secretário-geral da OTM-Cental Sindical. Nesse sentido, continuou Alexandre Munguambe, é um imperativo que o Governo incremente o salário mínimo a partir de 1 de abril, como é habitual todos os anos, para mitigar o impacto da crise económica nos trabalhadores. “Não podem ser os trabalhadores a pagar pela crise económica”, acrescentou Munguambe.

O secretário-geral da OTM-Central Sindical assinalou ainda que o desemprego se acentuou em Moçambique, devido ao corte de postos de trabalho, na sequência da crise económica e financeira que afeta o país. “A falta de emprego para pessoas em idade ativa, mais os despedimentos, preocupam-nos, porque o desemprego agrava o crime”, declarou Alexandre Munguambe.

No ano passado, o Governo moçambicano fixou o salário mínimo nacional em pouco mais de três mil meticais (40.06 euros), depois de negociações no quadro da CCT, entidade que junta o executivo, sindicatos e patronato.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique (INE), a inflação anual atingiu 25,27% em dezembro do ano passado, levando a uma quebra no poder de compra da população moçambicana.

Ainda no ano passado, o país registou o mais baixo crescimento económico dos últimos 10 anos, atingindo apenas 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: Lusa

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