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A promoção do turismo associado ao mergulho com mantas em Moçambique pode gerar um impacto económico directo de 32 milhões de euros, revela um estudo hoje divulgado, que alerta para a necessidade de apostar na conservação destes animais.

“A manta pode ter um valor económico de cerca de 10,9 milhões de dólares norte-americanos [10,3 milhões de euros] como lucro direto para os operadores de mergulho na província de Inhambane, com um impacto económico direto (incluindo despesas ligadas ao turismo), estimado em cerca de 34 milhões de dólares [32 milhões de euros] anuais”, lê-se no estudo, elaborado pela Associação Megafauna Marinha.

Pelo contrário, a inexistência de mantas na região representaria uma perda anual entre 16,1 e 15,7 milhões de dólares [15,3 e 24,4 milhões de euros].

“A oportunidade de deparar-se com um destes animais icónicos no seu ambiente natural tem sido uma grande atração para turistas do mundo inteiro para Moçambique, o que beneficia diretamente a economia local. Este estudo mostra que a conservação destes gigantes marinhos supera o benefício económico de pescá-los”, considera uma das cientistas da associação, Stephanie Venables.

Pesquisas recentes mostram que há “uma redução considerável” da população de mantas, mas a associação acredita que “é possível fazer a diferença e salvar estes animais emblemáticos, antes que seja tarde de mais”.

Para tal, os especialistas propõem a criação de projetos de áreas de proteção marinha e de uma lei de proteção.

As mantas são uma espécie ameaçada de extinção a nível mundial, devido à pressão da atividade pesqueira e por causa da ação humana — ficam presas ou são capturadas em redes ou linhas de pesca, mas também são afetadas pela poluição e destruição do habitat.

No entanto, “estas espécies emblemáticas têm sido cartões-de-visita para a indústria turística e faunística, criando assim incentivos para a sua proteção e do seu habitat, através da criação de áreas de proteção marinha e imposição de restrições de pesca ou comércio”, aponta a associação.

A costa moçambicana tem quase 2.500 quilómetros e só existem seis áreas de proteção marinha, alerta.

A Associação Megafauna Marinha tem trabalhado com os governos locais e líderes comunitários para proteger as espécies ameaçadas de extinção e salvaguardar também o valor económico do turismo marinho.

Para realizar este estudo, a associação usou dados recolhidos em 478 inquéritos sobre despesas de turismo, 15 inquéritos aos parceiros e estatística anual de mergulhos, fornecida por operadores turísticos na zona costeira.

Fonte: Lusa

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