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Imagem do fotógrafo turco Burhan Ozbilici, ganhadora do World Press Photo. (AP)

O fotógrafo turco Burhan Ozbilici, da agência de notícias Associated Press, assina a foto do ano de 2016, que mostra os momentos subsequentes ao assassinato de Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira pelo juri do prêmio World Press Photo. O atentado foi cometido em 20 de dezembro, dentro de uma galeria de Ancara, por um polícia turco de 22 anos, que depois dos disparos disse estar a vingar atrocidades cometidas em Aleppo (Síria). A foto foi publicada na capa do The New York Times, entre outros veículos. “É uma imagem explosiva que realmente fala sobre o ódio da nossa época. Cada vez que ela aparecia na tela a gente tinha quase que recuar”, disse a jurada Mary Calvert, em nota. Este é o principal prémio dedicado ao fotojornalismo no mundo.

Mevlüt Mert Altintas, o atirador que assassinou o diplomata, fez oito disparos e feriu outras duas pessoas, antes de ser morto em confronto com as forças de segurança. “Deus é grande! Deus é grande! Nós morremos em Aleppo, vocês morrem aqui! Matam gente inocente em Aleppo e na Síria!”, gritou ele, empunhando a arma. O fotógrafo premiado contou no ano passado que estava por acaso no local do atentado, uma galeria de arte onde o embaixador participava na inauguração de uma exposição de fotos. Quando o agressor começou a disparar, Ozbilici continuou a clicar em vez de se proteger dos tiros. “Pensei: ‘Estou aqui. Mesmo que fira ou me matar, sou um jornalista e devo fazer o meu trabalho’. Eu poderia ter-me deslocado para me esconder, mas nesse caso como iria responder quando perguntassem por que eu não fiz fotos?” Ozbilici, que trabalha há 27 anos para a Associated Press e já retratou, entre outros temas, o êxodo dos curdos do Iraque depois da morte de milhares de pessoas por causa dos ataques com gás ordenados por Saddam Hussein, então no poder. Cobriu também conflitos na Arábia Saudita, Egipto e Síria.

Esta edição do World Press Photo teve a participação de 5.034 fotógrafos de 125 países. O júri avaliou 80.408 imagens, e o norte-americano Jonathan Bachman ganhou na categoria Temas Contemporâneos, com uma foto da enfermeira negra Iehsia Evans enfrentando pacificamente a tropa de choque policial em Baton Rouge, durante os protestos contra a morte de um homem, também negro. Pouco depois, a mulher e vários outros manifestantes foram detidos.

O vírus zika foi contemplado pelos especialistas do World Press Photo com uma série sobre os bebés com microcefalia e suas mães, de autoria do brasileiro Lalo de Almeida. Houve prémios também para pautas como o enterro do ex-presidente cubano Fidel Castro, a violenta luta contra o tráfico de drogas ordenada pelo presidente filipino, Rodrigo Duterte, a luta das comunidades nativas dos Estados Unidos contra o oleoduto que deverá cruzar as suas terras ancestrais em Dakota do Norte e a crise dos refugiados no Mediterrâneo.

A primeira edição do World Press Photo data de 1955, quando um grupo de jornalistas da Associação Holandesa de Fotojornalismo transformou o prémio nacional da instituição numa competição internacional. Naquele ano, 42 colegas de 11 países apresentaram 300 imagens. Em 1956, a cifra de fotos quadruplicou, com participantes de 22 nacionalidades.

No ano passado, o prémio de melhor foto do ano foi dado a uma imagem que mostrava o drama dos refugiados no Mediterrâneo, de autoria do australiano Warren Richardson. Ela retrata o momento em que um homem entregava um bebé a outra pessoa sob uma cerca na fronteira entre a Hungria e a Sérvia.

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Imagem ganhadora do primeiro prémio World Press Photo no ítem Histórias da categoria Natureza, tomada pelo fotógrafo da agencia Getty Images, Brent Stirton, para a revista National Geographic. A imagen mostra dois caçadores furtivos de rinocerontes presos em Moçambique após três dias de perseguição no Parque Nacional Kruger. Brent Stirton/Getty Images/WORLD

O enfoque do prémio também mudou ao longo das décadas. Desde o princípio, o júri evita concentrar-se apenas no estilo das fotos. Mas nas primeiras edições havia as categorias Notícias e Desportos, Reportagens e Séries, com uma secção especial para as imagens a cores. Depois, as fotos noticiosas passaram a ser separadas da categoria intitulada Reportagens de Interesse Geral.

Às vezes, uma foto que não se enquadra totalmente no regulamento é mencionada pelo júri pela sua relevância. A primeira a receber essa menção foi feita pelo astronauta Edwin Aldrin durante o seu passeio de 1969 pela lua. “Sem ela, a narrativa visual do ano teria estado claudicante”, disseram naquela ocasião os jurados, que procedem de países industrializados e em desenvolvimento, professam diversos credos e têm distintas filiações políticas.

Fonte: El Pais/Brasil

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