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Trump com Peter Thiel (Facebook) e Tim Cook (Apple), durante evento em Nova Iorque, em dezembro/REUTERS

Da Apple à Zynga, os gigantes do Silicon Valley apresentaram neste domingo um documento ao tribunal número 9 de São Francisco para expressar a sua insatisfação com o decreto migratório do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Enquanto a maior parte do país parava para acompanhar o Super Bowl, evento desportivo de maior audiência no ano, uma aliança era formada nos arredores da cidade para tentar frear medidas supostamente nocivas aos negócios dos envolvidos na iniciativa. Segundo o Índice do Silicon Valley, os estrangeiros compunham 37,4% da mão de obra dessas empresas em 2016.

A lista abrange gigantes tecnológicos como Google, Facebook, Twitter e Snap, mas também nomes inesperados, como a Levi’s, centenária fábrica de jeans que esteve entre as primeiras companhias a instalarem-se na região. Entre os signatários estão, além desses, Netflix, Square, Salesforce, Airbnb, Uber, Pinterest, AppNexus, Yelp, Reddit, Kickstarter, GitHub, Glassdoor, Box, Mozilla, Dropbox, Twilio, Zynga e Medium.

As empresas tecnológicas se somam de maneira específica a um processo judicial contra a medida executiva da Casa Branca que tramita no Estado de Washington, onde fica Seattle, e que tem o apoio da Microsoft, Amazon e Expedia, líderes da economia digital nessa região da Costa Oeste.

As ausências são tão notáveis como polêmicas. Não aparece nenhuma das empresas de Elon Musk (Tesla e SpaceX). Cabe recordar que Musk é o único executivo da nova economia que permanece no conselho econômico do presidente. Chamou a atenção também a não adesão da WeWork, cujos escritórios compartilhados são muito populares na região e já se espalharam por todo o mundo, bem como quatro empresas veteranas que já estão a sofrer críticas e rechaço nas redes sociais: HP – que foi o embrião do Silicon Valley, numa garagem de Palo Alto – IBM, Yahoo e Oracle.

O documento da aliança empresarial condena o decreto migratório que proíbe temporariamente a entrada nos EUA de cidadãos da Síria, Iraque, Irão, Iêmen, Líbia, Somália e Sudão, mesmo que apresentem vistos ou autorizações de residência.

Aaron Levie, co-fundador e executivo-chefe da Box, comentou por email que “este decreto contraria os nossos valores como nação. Estamos orgulhosos de nos somarmos a empresas líderes que, como nós, consideram que ele não é constitucional, que é injusto e economicamente nocivo”.

As empresas signatárias salientam a contribuição que os estrangeiros historicamente oferecem ao país que os acolhe. “Os imigrantes fizeram algumas das grandes descobertas, criaram algumas das empresas mais inovadoras e célebres. A América tem um longo histórico em reconhecer a importância de nos protegermos contra quem quer nos fazer mal, mas sempre com um compromisso com a migração”, diz o texto.

Na tarde de quinta-feira, Travis Kalanick, principal executivo do Uber, renunciou ao cargo de conselheiro governamental. As críticas à sua ligação com Trump levaram mais de 200.000 usuários a desinstalarem o aplicativo do Uber. Depois de deixar o cargo, Kalanick enviou uma carta aos seus funcionários admitindo que “o decreto prejudica muitas pessoas e comunidades nos Estados Unidos como um todo”.

Na noite desta segunda, a questão migratória deve dominar a entrega do prêmio Crunchie, considerado o Oscar do sector tecnológico. A expectativa é de que os participantes da cerimónia, na Filarmônica de San Francisco, façam discursos contra o presidente e apelos à unidade dentro do sector.

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