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Um exemplar da ‘Litchi chinensis’, a árvore tropical cuja fruta é comida sob o nome de lichia

Durante décadas os médicos numa região do norte da Índia viram morrer milhares de crianças, mais de 100 por ano, devido a uma doença mistério que não conseguiam curar. Agora, cientistas norte-americanos e indianos dizem que as mortes eram causadas por comerem líchias de estômago vazio.

Um estudo publicado na última edição da revista The Lancet indica que as crianças morreram intoxicadas pela fruta. Os médicos associaram a encefalopatia aguda ao consumo de líchias num surto em Muzaffarpur.

Naquele surto específico, entre maio e julho de 2014, 390 doentes foram admitidos em dois hospitais da região, dos quais 122 morreram. Os investigadores perceberam que a maioria das vítimas eram crianças pobres que tinham comido a fruta caída nos campos, depois de muitas horas sem comer nada.

As líchias contém toxinas que inibem a capacidade do corpo de produzir glicose, o que afetava os níveis no sangue, que já estavam baixos devido ao jejum das horas anteriores. Assim, as crianças sofriam convulsões e perdiam a consciência.

A descoberta levou as autoridades de saúde locais a aconselhar os pais a certificarem-se de que os filhos comiam uma refeição à noite e a limitar o número de líchias ingeridas de manhã. Segundo o The New York Times, o número de crianças afetadas pela doença desceu para cerca de 50 por ano.

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A polpa branca que é comida após a fruta ser descascada.

SÃO COMESTÍVEIS?

As lichias são uma grande fonte de vitamina C e, como quase todas as frutas tropicais, têm um alto teor de potássio. “Mas quando são consumidas frescas. As enlatadas e em caldo não servem”, diz Ana Islas Ramos, especialista em nutrição da FAO (agência da ONU para a alimentação).

A especialista ressalta que as mortes registadas em Muzafarpur e outros lugares são “casos particulares” que ocorreram num contexto e condições bem específicas, e não acredita que devam alarmar os consumidores de lichias de outros países.

Os autores do estudo também afirmam que as recomendações de minimizar o consumo dessas frutas e se assegurar de comer após esse consumo são dirigidas “especificamente às crianças das áreas afectadas pelo surto”.

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