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Os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defenderam hoje em Maputo o estreitamente da cooperação económica, assinalando que os laços entre os dois países continuam insignificantes, apesar de existir um grande potencial.

Nyusi e Erdogan assinalaram a necessidade do reforço das relações económicas entre os dois países, em declarações à imprensa, no final das conversações entre as delegações de Moçambique e da Turquia, no âmbito da visita de dois dias que o chefe de Estado turco realiza ao país africano, inserido num périplo por três Estados do continente.

“Acima da cooperação política e diplomática, está a cooperação económica, haverá ações concretas para trabalhar no detalhe, temos que subir as relações económicas”, disse o Presidente moçambicano.

Assinalando que no ano passado apenas 30 projetos de investimento foram executados pela Turquia em Moçambique, Filipe Nyusi descreveu como ainda insignificante os vínculos no domínio económico e comercial.

Nyusi declarou que a visita de Recep Tayyip Erdogan vai servir para catapultar a cooperação bilateral para um patamar superior, apontando a agricultura, energia, infraestruturas, saúde e educação como áreas com amplas possibilidades para os dois países.

“A Turquia tem muitas possibilidades nas áreas tecnológicas e técnicas, pode dar o seu contributo para que a cooperação resulte em vantagens mútuas”, afirmou Erdogan.

Por seu turno, o chefe de Estado turco também considerou insuficiente a cooperação económica com Moçambique, assinalando a expetativa do seu país de incrementar as trocas comerciais para 500 milhões de dólares (464 milhões de euros), no curto prazo, contra 103 milhões de dólares alcançados em 2016.

“Vamos explorar ainda mais as oportunidades de investimento, criando laços mais fortes, para produzir resultados reciprocamente vantajosos”, frisou Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan salientou que a missão empresarial de 150 homens de negócios que integra a sua comitiva é um testemunho da vontade da Turquia de dar um salto na cooperação económica e comercial com Moçambique.

“Devemos manter esta proximidade para maiores benefícios, assinamos seis acordos de cooperação e vamos reunir-nos com o setor privado”, frisou Recep Tayyip Erdogan.

Maputo e Ancara assinaram hoje acordos de cooperação nas áreas económica e comercial, promoção e proteção de investimentos, turismo, cultura, supressão de vistos para pessoal diplomático e consultas políticas.

Apesar de os dois chefes de Estado terem expressado de forma reiterada a necessidade de cooperação no domínio económico, a declaração à imprensa foi marcada pela afirmação de Recep Tayyip Erdogan de que pessoas alegadamente envolvidas na tentativa de golpe de Estado na Turquia têm uma ampla rede de instituições em Moçambique, pedindo às autoridades locais apoio na sua neutralização.

“Nós sabemos que elementos deste grupo [supostamente envolvido na tentativa de golpe de Estado] estão presentes em Moçambique, infiltraram-se nas Forças Armadas da Turquia e estão a replicar a sua iniciativa, a sua agenda oculta, em várias partes do mundo. Têm uma rede vasta de escolas e associações em várias partes do mundo e têm uma rede muito ampla aqui em Moçambique”, afirmou Recep Tayyip Erdogan, no final das conversações entre as delegações dos governos turco e moçambicano.

A neutralização de pessoas que o Governo turco acusa de serem fiéis ao líder muçulmano Fethullah Gulen, a quem Ancara imputa a autoria de uma tentativa de golpe de Estado de julho do ano passado, é um dos temais centrais da visita que Recep Tayyip Erdogan realiza a três países africanos, que, além de Moçambique, inclui a Tanzânia e Madagáscar, em paralelo com o reforço das relações económicas e comerciais.

Fonte: Lusa

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