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O gabinete de estudos económicos do BPI considerou hoje que o anúncio de Moçambique sobre o não pagamento da prestação de janeiro confirma o que já era esperado e mostra “uma postura de esclarecimento junto dos credores”.

“O anúncio do default por parte de Moçambique acaba por ser uma confirmação do que já era esperado por algumas instituições”, disse a analista que segue o país, Vânia Duarte, à Lusa, acrescentando que “é uma forma de acabar com as expectativas que rodeavam a questão” do pagamento da prestação de janeiro.

“Também é importante notar que, mais uma vez, o Governo moçambicano assume uma postura de esclarecimento junto dos credores, demonstrando o compromisso em assegurar maior transparência dos seus actos”, disse a analista, salientando que é igualmente positivo que o FMI mantenha as conversações e o empenho “em ajudar Moçambique a resolver os seus desafios”.

O comentário feito à Lusa surge no dia em que o Governo de Moçambique anunciou que não iria pagar quase 60 milhões de dólares em juros, devidos a 18 de janeiro, sobre os 726,5 milhões de dólares em títulos de dívida emitidos em abril do ano passado, com maturidade em 2023.

“O Governo tinha já mencionado no ano passado que não estaria em condições para cumprir com as suas obrigações financeiras e isso acabou por desencadear a tentativa de chegar a acordo com os credores para a reestruturação de parte da dívida pública externa”, por isso, “a confirmação do não pagamento feita pelo Ministério da Economia e Finanças de Moçambique é uma forma de acabar com as expectativas que rodeavam a questão”, concluiu Vânia Duarte.

O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou hoje que não vai pagar a prestação de janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro (`default`).

“O Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique quer informar os detentores dos 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023 emitidos pela República que o pagamento de juros nas notas, no valor de 59,7 milhões de dólares, que é devido a 18 de janeiro, não será pago pela República”, lê-se num comunicado disponibilizado hoje em Maputo.

No documento, Moçambique lembra que já tinha alertado em outubro para a falta de liquidez durante este ano e salienta que encara os credores como “parceiros importantes de longo prazo cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país”.

Moçambique assume assim que vai entrar em incumprimento financeiro (`default`), apesar de haver um período de tolerância de 15 dias para o pagamento do cupão de janeiro.

Fonte: Lusa

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