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– Sven von Burgsdorff

O embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique, Sven von Burgsdorff, manifestou-se hoje confiante de que a processo negocial entre o Governo e a Renamo, principal partido de posição, vai registar “avanços notáveis” nos próximos dias ou semanas.

“Temos a convicção de que nos próximos dias haverá avanços notáveis no processo”, declarou à imprensa Sven von Burgsdorff, após ser recebido em audiência pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, em Maputo.

No mesmo dia, Nyusi recebeu também a embaixadora da Noruega em Maputo, Anne Lene Dale, que disse que o tema da paz esteve no centro da conversa com o Presidente moçambicano.

“Nós discutimos a situação e esperamos que se alcance a paz em Moçambique, pois é importante para o desenvolvimento do povo”, disse Anne Lene Dale.

Moçambique atravessa uma crise política que opõe o Governo e a principal força de oposição e o centro do país tem sido assolado por conflitos militares entre as Forças Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder há mais de 40 anos, de fraude no escrutínio.

Em finais de dezembro, após conversas telefónicas com o Presidente moçambicano, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como “gesto de boa vontade”, tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias.

Os trabalhos da comissão mista das delegações do Governo e da Renamo constituída para preparar o encontro entre os líderes das duas partes pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz.

Na altura, o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, indicado pela UE, disse que os mediadores só regressarão a Maputo se forem convocados pelas partes.

O Presidente moçambicano e o líder da Renamo acordaram a criação de um grupo de trabalho especializado para discutir o pacote de descentralização, sem a presença dos mediadores internacionais.

A permanência da mediação internacional é, porém, exigida por Afonso Dhlakama no grupo da comissão mista, que vai tratar dos outros assuntos da agenda das negociações de paz.´

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e o desarmamento do braço armado da oposição, bem como sua reintegração na vida civil.

Fonte: Lusa

 

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