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Obama aplaude durante o discurso de despedida em Chicago/JOSHUA LOTT (AFP)

“Sim, nós podemos. Sim, nós fizemos” (“Yes, we can. Yes, we did”). Obama encerrou nesta terça-feira o seu discurso de despedida com o mesmo slogan que o acompanhou desde a candidatura à presidência dos EUA, em 2008, num pronunciamento em Chicago. A dez dias de deixar a Casa Branca e dar o lugar a Donald Trump, Obama repassou alguns dos marcos principais dos seus dois mandatos num discurso várias vezes interrompido por ovações e aplausos por parte do público que lotava a centro de convenções McCormick Place.

A mudança desde 2008

“A mudança só acontece quando as pessoas comuns se envolvem, se comprometem e se unem para exigi-la”, observou Obama. “Se eu tivesse dito que conseguiríamos chegar ao casamento igualitário e que garantiríamos o direito a um seguro de saúde para mais 20 milhões de cidadãos, diriam que estávamos a colocar as nossas expectativas num patamar alto demais”, exemplificou. “Mais foi isso que fizemos. Foi isso que vocês fizeram. Vocês foram a mudança”, continuou. “Os EUA são hoje um lugar melhor e mais forte do que quando começamos”, acrescentou, referindo-se à sua chegada à presidência do país em 2008.

Raça e imigração

O primeiro presidente negro da história dos EUA também recordou que a questão da raça “continua a ser um dos factores de divisão mais poderosos e frequentes” da sociedade norte-americana, embora tenha destacado que as relações inter-raciais nos EUA “são melhores hoje do que há 10, 20 ou 30 anos, independentemente do que as pessoas digam”.

Obama não esqueceu de falar também dos imigrantes. “Se não estivermos dispostos a investir nos filhos dos imigrantes pelo simples facto de que eles não se parecem conosco, estaremos a diminuir as perspectivas para os nossos próprios filhos, pois essas crianças morenas irão representar uma parcela cada vez maior da mão-de-obra nos Estados Unidos”.

Combate ao Estado Islâmico

Obama também chamou a atenção para a necessidade de “a democracia não se dobrar diante do medo”, ideia que está relacionada à luta internacional contra o terrorismo do Estado Islâmico (EI). “A coaligação mundial que lideramos contra o EI conseguiu eliminar os seus líderes, obrigando-os a se retirar de metade do território que vinham ocupando”, acrescentou, para concluir: “O EI será aniquilado e ninguém que ameace os EUA jamais estará seguro”.

Não à discriminação

O presidente também recordou os avanços no combate à discriminação sofrida por grupos mais vulneráveis da sociedade norte-americana: as mulheres, a comunidade LGBT (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais) e as minorias raciais e religiosas. Destacou a situação dos muçulmanos nascidos nos EUA. “Repudio a discriminação contra os norte-americanos muçulmanos, que são tão patriotas como nós”, assinalou.

Por um mundo menos poluído

Obama apelou para a emoção ao lembrar que os EUA precisam defender as iniciativas levadas a cabo nos últimos anos contra a mudança climática e na luta pela redução das taxas de emissão de poluentes. Obama afirmou que, se o país não adoptar mais medidas, “os nossos filhos não terão tempo para debater a existência ou não da mudança climática, pois estarão ocupados demais a enfrentar os seus efeitos”.

Nos últimos tempos, surgiu dentro do Partido Republicano, encabeçada pelo presidente eleito, Donald Trump, uma corrente negacionista que questiona as consequências da mudança climática. O magnata afirmou pelo Twitter há algum tempo que “o conceito de aquecimento global foi criado por e para os chineses, com o objectivo de tirar a competitividade da indústria dos EUA. É preciso acabar com esse disparate muito custoso de aquecimento global. O nosso planeta está se congelando, tem registado temperaturas mínimas históricas e os cientistas estão presos no meio do gelo”.

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