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O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse hoje ter conversado, na segunda-feira, telefonicamente, com o líder da Renamo, principal partido de oposição, Afonso Dhlakama, manifestando esperança no fim da violência militar, segundo a emissora pública Rádio Moçambique.

“Conseguimos falar, eu e o presidente da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana], Afonso Dhlakama, e a chamada era simplesmente para desejar-se festas felizes, um ao outro e saber como as coisas estão, mas como sempre, esse tipo de contato tem que se explorar ao máximo”, declarou Filipe Nyusi, citado pela Rádio Moçambique.

A conversa, prosseguiu Nyusi, foi aproveitada para uma abordagem sobre a paz e reiterar que as hostilidades têm que parar.

“Ninguém deve morrer por causa de desencontros de ideias ou de posições, de diferenças entre as pessoas. O presidente da Renamo prometeu-me que vai fazer uma conferência de imprensa resumindo o resultado da nossa conversa”, acrescentou o chefe de Estado moçambicano.

Logo após estas declarações, o presidente da Renamo convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa por telefone para anunciar uma trégua de uma semana, com efeitos a partir de quarta-feira.

Filipe Nyusi descreveu como interessante a conversa com o líder da Renamo, realçando a importância de contatos diretos com Afonso Dhlakama para a resolução da crise política e militar.

“Quando nos falamos é sempre bom, encontrar soluções, nem que sejam provisórias, temporárias, mas sempre isso dá sinal de esperança para todo o país”, salientou Filipe Nyusi.

As negociações de paz pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização exigido pela Renamo para cessar a crise política e militar e os mediadores internacionais abandonaram Maputo, referindo que só regressarão se forem convocados pelas partes.

No seu discurso do Estado da Nação, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que propôs à Renamo a criação de um grupo de trabalho especializado para debater a descentralização, “sem distinção política” nem a presença do atual grupo de mediadores para um acordo de paz com o maior partido de oposição.

O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados pela violência militar, na sequência da recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, incluindo na polícia e nos serviços de informação do Estado, e o desarmamento do braço armado da oposição e sua reintegração na vida civil.

Os mediadores internacionais apontados pela Renamo são representantes indicados pela União Europeia, Igreja Católica e África do Sul, enquanto o Governo nomeou o ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, pela Fundação Global Leadership (do ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos Chester Crocker), a Fundação Faith, liderada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e o antigo Presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.

Fonte: Lusa

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