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Bob Dylan, como era de se esperar, não compareceu à cerimônia de entrega do Prêmio Nobel (a cantora e compositora Patti Smith foi em seu lugar, e premiou o público presente com uma belíssima versão de A Hard Rain’s A-Gonna Fall). Em compensação, o bardo de Minnessota enviou um texto, lido por Azita Raji, embaixadora dos Estados Unidos na Suécia, na qual confessou o seu agradecimento e perplexidade ao receber o prêmio na categoria Literatura. Dylan, aliás, colocou um pouco mais de luz sobre a questão de um compositor e poeta ganhar algo nessa magnitude. “Nunca imaginei que um dia seria agraciado com um prêmio dessa estatura. De fato, ninguém da minha geração (ele nasceu em 43) foi considerado suficientemente bom para ser agraciado com um Nobel.” O compositor de Blowin’ in the Wind ressaltou que desde pequeno “lia e absorvia” obras de escritores como Thomas Mann, Rudyard Kipling, Bernard Shaw, Albert Camus e Ernest Hemningway. “Não tenho palavras para definir a união do meu nome ao dessas pessoas.”

Na sua nota de agradecimento, o compositor chegou a fazer uma irônica comparação com William Shakespeare (1564-1616) que também tinha problemas mundanos para resolver – “onde é que eu vou arrumar um crânio humano?”, teria se perguntado – antes de se preocupar se o que fazia era arte ou entretenimento. “Nunca tive tempo para me perguntar se as minhas canções eram letras de música ou literatura”, justificou-se Dylan. Para ele, a sua maior preocupação sempre foram os músicos e os estúdios adequados para as suas canções e se as mesmas seriam cantadas na nota certa (nota do tradutor: nessa questão, Bob, você exagerou). “Certas coisas nunca mudam depois de 400 anos.”

Horas antes do banquete da premiação, Horace Engdhal, membro da Academia Sueca, justificou a escolha de Bob Dylan para o prêmio de Literatura. “Ele dedicou o seu corpo e alma à música americana do século XX, do tipo que tocou em estações de rádio e toca-discos para pessoas comuns, brancas e negras: canções de protesto, country, blues, rock tradicional, gospel e música mainstream.” Engdahl completou. “Eu o coloco ao lado dos bardos gregos, de Ovídio, ao lado dos românticos, dos reis e rainhas do blues, ao lado dos esquecidos autores do nosso cancioneiro.”

Fonte: EFE

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