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Mark Zuckerberg reagiu. Embora evite o termo “notícias falsas”, preferindo falar em desinformação, o criador do Facebook pronunciou-se sobre a polêmica que atinge esta rede social desde a vitória eleitoral de Donald Trump nos Estados Unidos. Numa postagem em tom intimista no seu mural, como se estivesse a dirigir-se aos seus amigos, o empresário anunciou que o Facebook irá tomar medidas para evitar a difusão de boatos.

“Levamos a desinformação a sério. Nossa meta é conectar as pessoas com os assuntos que fazem mais sentido para elas, e sabemos que as pessoas querem informações precisas. Estamos há bastante tempo a trabalhar neste problema”, diz no começo, para em seguida reconhecer a responsabilidade do serviço que dirige, uma maneira de evidenciar que não é apenas um difusor. “Apesar de já termos progredido, resta muito por fazer”, diz.

A figura do editor de conteúdo é relativamente recente no Facebook. Em geral, eles se baseiam nas críticas da sua comunidade para dizer o que é falso ou não. Contam com ferramentas para isso, mas também é verdade que essas mentiras nunca desaparecem completamente. Por suas palavras, se deduz que o Facebook tão pouco tentou completamente esses materiais. “Assim como não gostamos de matérias caça-cliques, de spam e de fraudes no feed de notícias, penalizamos esse conteúdo para que tenha muito menos chance de ser difundido.”

Uma das máximas de Zuckerberg, que se reflete em muitas de suas ações, inclusive na sua iniciativa para a erradicação de doenças, é que tudo se comporta como um sistema informático. Ele considera que qualquer processo sempre pode ser melhorado.

Diante da onda de críticas e da perda de confiança, Zuckerberg publicou uma lista de sete medidas para começar a enfrentar o problema. As soluções propostas incluem botões de alerta, sistemas de prevenção baseados em algoritmos e a criação de equipas humanas especializadas, com a ajuda de especialistas externos.

Jeff Jarvis, especialista em novas medidas e professor da Universidade de Nova Iorque, considera que não é trabalho da rede social decidir o que é ou não verdade, e sim oferecer ferramentas para dificultar a sua difusão. “Não se trata tanto de julgar, como se fossem censores. Todos nós temos medo de acabarmos com listas negras. Trata-se de melhorar a experiência online de todos, de torná-la mais prazerosa e confiável”, escreve Jarvis no seu blog.

Vivek Wadhwa, empreendedor e professor na Universidade Carnegie Mellon, no Vale do Silício, insiste em que não é algo que se possa solucionar com algoritmos, e tão pouco apenas com humanos, e sim um fenômeno que merece uma reflexão prévia para esclarecer o que se exatamente se deseja detectar e excluir.

Segundo o post de Mark Zuckerberg, estas são as sete medidas que o Facebook se compromete a adotar:

Detecção mais sólida: Isso é o mais importante que podemos fazer para melhorar nossa capacidade de classificar a desinformação. Isto significa melhores sistemas técnicos para detectar o que os nossos usuários marcarão como falso antes mesmo que elas o façam.

Denúncias fáceis: Facilitar a denúncias de reportagens falsas nos ajudará a encontrar mais desinformação mais rapidamente.

Verificação de terceiros: Há muitas organizações respeitadas de checagem e, apesar de já termos procurado algumas, planeamos aprender com muitas outras.

Advertências: Estamos a analisar como etiquetar matérias que já foram apontadas como falsas por terceiros ou pela nossa comunidade e como mostrar os alertas quando as pessoas as leem ou compartilham.

Qualidade dos artigos relacionados: Estamos a elevar o nível das matérias que aparecem nos “artigos relacionados” sob os links do feed de notícias.

Perturbar a economia das notícias falsas: Grande parte da desinformação é difundida por spams com motivação financeira. Estamos a procura de formas de atrapalhar essa atividade econômica com políticas publicitárias como a que anunciamos nesta semana e uma melhor detecção de ad farms [sites que contêm apenas links para anúncios].

Escutar: Vamos continuar a trabalhar com jornalistas e outros membros do setor da mídia para colhermos a sua opinião, em especial, a fim de melhor entendermos os seus sistemas de checagem e aprendermos com eles.

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