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É a despedida do poeta melancólico, de voz grave e símbolo inspirador de várias gerações. O músico, compositor e escritor canadiano Leonard Cohen morreu nesta quinta-feira, aos 82 anos.

“É com profunda dor que noticiamos que o lendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen morreu”, anuncia-se na sua página oficial do Facebook.

“Perdemos um dos visionários mais prolíficos e reverenciados da música”, acrescenta a mesma nota.

No mês passado, pouco antes de lançar o seu novo disco, o cantor de 82 anos confessou estar preparado para morrer, embora garantisse que ainda tinha livros, canções e letras para terminar.

No último disco, You Want It Darker, Cohen canta “I’m ready, my Lord”, como que em jeito de despedida.

“Leonard Cohen está no ringue encostado às cordas e, quando Ela chega e levanta a sua grande mão negra, Leonard tira as luvas, levanta a cabeça e diz uma última frase: “I’m ready, my Lord”. Isto é uma imagem mas tem um lado literal: pensem na Canção como o lugar em que um homem pode espiar os seus medos com um pouco menos de dor – há luvas nas mãos, o chão não é de cimento. O árbitro é o tempo e já passou demasiado tempo: aos 82 anos Leonard Cohen já viveu o suficiente para cantar “I’m ready, my Lord” em You Want It Darker, a faixa que abre o disco homónimo”, escreveu João Bonifácio na crítica que fez para o jornal português PÚBLICO.

Nascido em Montreal a 21 de Setembro de 1934, Leonard Cohen teve uma infância marcada pelo morte do pai, quando tinha nove anos.

Começou por se dedicar à poesia e mais tarde à música.

Várias gerações cantaram e dançaram ao som dos seus temas mais célebres, como Hallelujah, Suzanne ou So Long Marianne. Em Agosto passado, aliás, correu mundo a carta de despedida que enviou a Marianne Ihlen, sua musa e amante na ilha grega de Hydra, nos anos 1960, falecida a 28 Julho.

Leonard Cohen, que anunciara a sua retirada dos palcos na década de 1990, foi obrigado a regressar quando em 2004 descobriu que estava arruinado, depois de a sua agente, Kelley Lynch, ter feito desparecer milhões de dólares das suas contas e de ter celebrado um contrato ruinoso com a Sony em que vendia por tuta e meia os direitos de futuras gravações discográficas do mítico intérprete canadiano.

Fonte: publico.pt

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