image

Trump cumprimenta apoiantes e faz discurso da vitória em Nova Iorque/Foto REUTERS/MIKE SEGAR

Confirma-se o que poucas sondagens arriscavam. Donald Trump ultrapassou mesmo Hillary Clinton e será o 45.º Presidente dos Estados Unidos. Clinton já ligou a Trump para assumir a derrota.

O republicano conseguiu já ultrapassar a barreira dos 270 grandes eleitores para chegar à Casa Branca, com 276, estando a democrata nos 218. Os estados chave foram a Florida, a Carolina do Norte, o Wisconsin e o Ohio.

“Agora é hora de união. Serei presidente de todos os americanos”, prometeu Trump, de 70 anos, no seu discurso de vitória no hotel Hilton em Nova Iorque. O multimilionário, conhecido pelas suas posições populistas, pelos seus negócios e participação em reality shows, faz história ao chegar à Casa Branca sem nunca ter ocupado nenhum cargo público ou mesmo militar. Será o comandante supremo das Forças Armadas dos EUA.

Os resultados parecem confirmar a vitória da chamada “maioria silenciosa”, ou seja, um conjunto de pessoas que apoiava o multimilionário para presidente mas não o admitia nas sondagens. Fenómeno semelhante ocorreu no referendo britânico de 23 de junho, quando se deu a vitória do brexit, com 52% dos eleitores a apoiar a saída do Reino Unido da UE.

A vitória de Trump emitiu ondas de choque a nível mundial, com os mercados a despertarem em queda, sobretudo na Ásia. O peso mexicano – moeda do país que foi um dos alvos privilegiados do republicano durante a sua campanha – desvalorizou 10%.

Apesar de ter telefonado a Trump, Clinton não tem prevista uma reação oficial, pelo menos para já, anunciou aos apoiantes da democrata o chefe de campanha de Hillary, John Podesta. À medida que o mundo vai acordando, as reações vão começando a surgir. Deste lado do Atlântico, na Europa, uma das primeiras vozes a congratular-se com a vitória do republicano foi a da líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, em França.

“Felicitações ao novo presidente dos Estados Unidos Donald Trump e ao povo norte-americano, livre”, escreveu, no Twitter, a líder da extrema-direita francesa, apostada em vencer as eleições presidenciais de 2017 no seu país. Na UE, os analistas esperam agora para ver se a vitória de Trump vai ou não beneficiar os populistas em países como França, Alemanha, Holanda, Áustria, Hungria, entre outros.

O mundo espera para saber o que vai fazer a seguir Trump, que durante a campanha expressou uma visão mais isolacionista do que multilateralista, indo ao ponto de ameaçar cortar o financiamento dos EUA para a NATO, aliança atlântica que, desde o fim da Guerra Fria, tem sido o garante da segurança dos europeus. Isso poderia, em última análise, forçar a UE a desenvolver muito rapidamente aquilo que durante anos teve reticências em fazer avançar: uma política de defesa própria.

Também para se ver está a posição do republicano em relação à ONU, organização mundial que, a partir de 1 de janeiro, terá como secretário-geral o ex-primeiro-ministro português António Guterres. A acrescentar à vitória de Trump está também a do seu Partido Republicano, que mantém o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado no Congresso norte-americano. Isso faz com que o novo presidente tenha a vida bastante facilitada. Com o controlo do Congresso, o multimilionário quer fazer aquilo que prometeu: “Tornar a América Grande Outra Vez”.

(*) Títutulo “emprestado” do Nwe York Times

Anúncios